Mahmud Hams/AFP - 18/05/2021
Mahmud Hams/AFP - 18/05/2021

Conselho da ONU investigará crimes em confronto entre Israel e Hamas em Gaza

A resolução foi aprovada com 24 votos a favor, nove contra e 14 abstenções em reunião em Genebra; o Brasil se absteve

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 15h29
Atualizado 27 de maio de 2021 | 15h48

GENEBRA - O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou nesta quinta-feira, 27, uma investigação internacional sobre possíveis crimes ocorridos nos 11 dias de conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A resolução também pede que uma comissão internacional de especialistas estude "todas as raízes das tensões recorrentes (...), como a discriminação e a repressão sistemática com base na identidade nacional, étnica, racial ou religiosa". O texto foi aprovado com 24 votos a favor, nove contra e 14 abstenções. O Brasil se absteve. 

A reunião do Conselho realizou-se a pedido do Paquistão, que coordena a Organização de Cooperação Islâmica, e das autoridades palestinas. A investigação pretende recolher provas e elementos que possam ser utilizados na abertura de um processo judicial e, na medida do possível, na identificação e julgamento de culpados.

O ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al Maliki, participou da reunião remotamente e acusou Israel de ter estabelecido um regime de apartheid baseado na opressão do povo palestino e seu deslocamento forçado. Ele também reivindicou o direito dos palestinos de resistir à ocupação e disse que colonos (israelenses) deveriam estar na lista de terroristas.

O embaixador de Israel nas Nações Unidas em Genebra, Meirav Eilon Shahar, acusou o Hamas de ter iniciado o conflito e garantiu que seu país faria todo o possível para reduzir as tensões. A impunidade antiga e sistemática minou todos os esforços para se chegar a uma solução justa e pacífica, acusa o texto.

Esta é a primeira vez que o Conselho institui uma comissão de inquérito com mandato indefinido. Em outros casos, como o da Síria, ele é renovado todos os anos. 

O conflito mais recente entre Israel e Hamas ecloodiu em 10 de maio, com o lançamento de foguetes da Faixa de Gaza para o território israelense. Israel respondeu bombardeando Gaza. A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou as mortes e a destruição causada pelos ataques israelenses, que afetaram muitos civis. "Apesar das alegações de Israel de que muitos desses edifícios (atingidos pelos bombardeios) abrigavam grupos armados ou eram usados ​​para fins militares, não vimos evidências disso", afirmou. "Se for verificado que o impacto sofrido por civis e bens materiais civis foi indiscriminado e desproporcional, este ataque poderia constituir um crime de guerra". Bachelet também afirmou que o lançamento de foguetes do Hamas é indiscriminado e não distingue entre alvos militares e civis.

Israel criticou a resolução. O Ministério das Relações Exteriores disse que o país não irá cooperar com a investigação, que considera uma tentativa de encobrir os crimes cometidos pela organização terrorista Hamas. O Hamas, por sua vez, indicou ser favorável à investigação. Um porta-voz do grupo militante palestino afirmou que suas ações foram fruto de resistência legítima e pediu medidas imediatas para punir Israel.

De 10 a 21 de maio, 254 palestinos foram mortos em bombardeios israelenses em Gaza, incluindo 66 crianças e também militantes. Em Israel, foguetes lançados da Faixa mataram 12 pessoas. / AP, AFP e REUTERS

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