Conselho de agência da ONU recrimina Irã por programa nuclear

Os 35 países que formam o conselho da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA), um órgão da ONU, censuraram na quinta-feira o Irã por desafiar as exigências internacionais para que interrompa sua atividade de enriquecimento de urânio, e por deixar de esclarecer as crescentes suspeitas de que estaria tentando desenvolver armas atômicas.

FREDRIK DAHL, Reuters

13 de setembro de 2012 | 17h24

Dois dias depois de Israel intensificar as ameaças contra seu arqui-inimigo Irã, o conselho aprovou por ampla maioria uma resolução manifestando "séria preocupação" com os avanços nucleares do Irã, e também observando seu claro desejo de uma solução pacífica para a polêmica.

Rússia e China se juntaram a potências ocidentais como autoras da resolução, numa grande manifestação de unidade contra o Irã. Só Cuba votou contra. Três países, inclusive o Egito, se abstiveram, segundo diplomatas que participaram da reunião a portas fechadas na sede da AIEA, em Viena.

"A pressão diplomática sobre o Irã está aumentando. O isolamento está aumentando", disse o embaixador dos EUA na AIEA, Robert Wood.

Mas o embaixador iraniano, Ali Asghar Soltanieh, afirmou que tais resoluções são contraproducentes. O Irã tem mantido seu programa nuclear apesar de uma série de resoluções semelhantes desde 2006, além de duras sanções econômicas.

A diferença agora é que a busca por uma solução diplomática para o impasse se tornou mais urgente, por causa das ameaças de Israel, que exigiu um prazo para que o Irã coopere.

"(A resolução da AIEA) só irá complicar a situação e ameaçar o ambiente cooperativo do qual desesperadamente precisamos", disse Soltanieh a jornalistas depois da votação.

A resolução culpa o Irã por ignorar alertas do Conselho de Segurança da ONU para que suspenda o enriquecimento de urânio - atividade que, dependendo do grau de pureza obtido, pode resultar em matéria-prima para reatores nucleares civis ou para bombas.

A aprovação da resolução foi adiada em várias horas por causa de uma emenda sul-africana que aparentemente abrandava a exigência da AIEA para ter acesso a locais relevantes para as investigações sobre um possível componente militar do programa atômico. Uma solução intermediária entre o texto original e a emenda garantiu a aprovação.

(Reportagem adicional de Dan Williams em Jerusalém)

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