Conselho de Direitos da ONU condena Líbia e inicia inquérito

O Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou na sexta-feira a violência praticada pelas forças líbias contra manifestantes, e iniciou uma investigação internacional sobre possível ocorrência de crimes contra a humanidade.

STE, REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 18h45

Por unanimidade, os 47 países integrantes do Conselho adotaram uma resolução que denuncia os ataques, assassinatos, prisões e torturas de civis durante manifestações pacíficas.

O texto também pede à Assembleia Geral da ONU que considere suspender o direito da Líbia de participar do Conselho, que tem sede em Genebra, por causa das "violações flagrantes e sistemáticas aos direitos humanos por parte das autoridades líbias".

O Conselho de Direitos Humanos foi criado há cinco anos, e nunca teve um país suspenso. Para isso, seriam necessários dois terços dos votos na Assembleia Geral.

Em notas separadas, os chanceleres da Grã-Bretanha, William Hague, e da França, Michele Alliot-Marie, elogiaram a decisão do Conselho e pediram outras medidas coordenadas da comunidade internacional.

Hague, que irá discursar na segunda-feira no Conselho, disse: "Vamos continuar pressionando por ações na Líbia, pois têm ocorrido flagrantes e sistemáticas violações aos direitos humanos por parte das autoridades líbias, que são totalmente inaceitáveis, e as condenamos absolutamente."

Falando em nome da União Europeia, o embaixador húngaro junto ao Conselho, Andras Dekany, disse esperar que "um futuro governo legítimo representando genuinamente o povo líbio e respeitando os padrões internacionais de direitos humanos (...) possa ser recebido de volta ao Conselho."

A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, defendeu uma intervenção internacional para conter os massacres. Ela disse que milhares de pessoas podem ter sido mortas ou feridas durante os protestos contra o regime de Muammar Gaddafi, iniciados na semana passada.

"Sempre peço investimentos independentes como um começo, mas acho que nesta situação em particular há a necessidade de mais ação estatal e intervenção para a proteção (dos civis)", disse a sul-africana à TV Reuters.

(Reportagem adicional de Adrian Croft em Londres)

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