Conselho de Direitos Humanos condena repressão na Síria

Texto pede o envio urgente de comissão independente para investigar as denúncias de crimes

Efe

23 de agosto de 2011 | 10h37

GENEBRA - O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou nesta terça-feira o projeto de resolução apresentado pela União Europeia (UE), com o apoio dos Estados Unidos, para condenar a repressão do regime sírio contra os protestos civis de oposição.

  

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O texto, que pede o envio urgente de uma comissão independente para investigar as denúncias de crimes contra a humanidade na Síria, recebeu 33 votos a favor e quatro contra - Rússia, Cuba, China e Equador.

 

Os demais Estados representados no Conselho de Direitos Humanos em Genebra se abstiveram - Bangladesh, Camarões, Djibuti, Índia, Malásia, Mauritânia, Filipinas e Uganda. A Líbia não pôde votar, pois está suspensa devido às sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra Damasco.

 

UE e EUA expressaram publicamente o amplo apoio recebido pela resolução, que busca aumentar a pressão sobre o regime de Bashar al Assad, mas fontes diplomáticas manifestaram à Agência Efe certa decepção com a contundente rejeição da Rússia e China, países que dispõem de direito a veto no Conselho de Segurança.

 

Antes da votação, as delegações russa e chinesa expressaram de maneira conjunta sua rejeição à resolução por considerar que ela possui "fins destrutivos e busca desestabilizar a situação na Síria".

 

Russos e chineses pediram ao Conselho que lembre a importância do respeito à Carta das Nações Unidas no que se refere às normas internacionais, respeito à soberania das nações, independência e integridade territorial.

 

"É preciso fazer o máximo possível para articular um diálogo na Síria com participação de todas as partes", disse o representante chinês, que pediu ao Conselho que realizasse "uma atitude objetiva e se baseasse em informações corretas para tomar sua decisão".

 

As delegações dos dois países declararam na segunda-feira - primeiro dia desta reunião especial do Conselho - que não se pode culpar apenas o Governo de Damasco pela violência e, nesta terça-feira, sublinharam que, com esta condenação dirigida unicamente ao regime, a situação só tende a complicar e o conflito, se agravar.

 

O embaixador da Síria na sede da ONU em Genebra, Faisal al Hamwi, afirmou que a resolução representa um texto "cem por cento político e desequilibrado" e considerou que ela "envia uma mensagem errônea sobre a deterioração da situação" no país árabe.

 

Para ele, a resolução é "o reflexo de uma clara vontade de intervir politicamente em um país independente e soberano".

 

O embaixador sírio expressou a disposição de seu Governo de receber a missão independente proposta pela resolução para investigar as acusações de crimes contra a humanidade na Síria.

 

No entanto, Hamwi destacou que a visita dessa missão poderá realizar seu trabalho apenas depois que o Governo sírio completar as reformas aprovadas para democratizar o país.

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