Conselho de Segurança adota sanções contra o Irã

O Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou por unanimidade neste sábado uma resolução impondo sanções contra o Irã pela recusa da República Islâmica em suspender seu polêmico programa nuclear. A decisão vem após dois meses de duras negociações voltadas a pressionar o regime dos aiatolás a voltar à mesa de negociações para deixar claro seus objetivos.A decisão veio após a confirmação de que a Rússia endossaria o texto, que obriga Teerã a cancelar suas atividades de enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos e outras potências ocidentais acreditam que a República Islâmica pretenda utilizar o combustível nuclear para a produção de armamentos. O Irã rejeita a acusação, e afirma que seu único objetivo é produzir energia elétrica. A resolução obriga todos os países a banirem a venda de suplementos materiais e tecnologias que possam ser usadas nos programas nucleares e de mísseis de Teerã. O texto também impõe o bloqueio dos bens das empresas e indivíduos envolvidos com esses programas. Os nomes constam em uma lista elaborada pela ONU.Caso o Irã se recuse em cooperar, a resolução permite que o Conselho de Segurança volte a se reunir para adotar novas sanções não-militares.Antes da reunião, no entanto, não estava claro se haveria apoio unânime à resolução, uma vez que Rússia, China e Qatar possuem fortes laços comerciais com Teerã e poderiam não aprovar a resolução. Mas, em uma última tentativa de ganhar o apoio russo, nações européias circularam na noite de sexta-feira um novo texto, de conteúdo mais ameno. A atitude parece ter surtido efeito. Mais cedo neste sábado, o presidente russo, Vladimir Putin, havia telefonado ao presidente George W. Bush para expressar seu apoio à necessidade de se avançar com a resolução. "Eles concordaram na necessidade de avançar com uma resolução no Conselho de Segurança da ONU e ressaltaram a importância de se manter uma posição unificada sobre o programa nuclear do Irã", disse o porta-voz da Casa Branca Blain Rethmeier. AmeaçasTambém neste sábado, o presidente do Parlamento iraniano disse que o país irá alterar suas relações com a ONU e com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) caso as sanções fossem aprovadas.Na quinta-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou que a eventual adoção de sanções contra seu país não impediriam o Irã de continuar com seu programa de enriquecimento de urânio. A tecnologia pode ser usada tanto na produção de combustível nuclear para propósitos civis quanto para a produção de armamentos nucleares.A resolução foi adotada sob o Artigo 41 do Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite que o Conselho de Segurança imponha sanções não-militares como o completo ou parcial rompimento dos laços diplomáticos e relações comercias, de transporte e comunicações. Caso o Irã não coopere com a ONU, o rascunho pede que o Conselho se reúna para adotar medidas apropriadas sobre o Artigo 41.Durante as negociações, um boicote às permissões de viajem a indivíduos ligados ao programas nucleares e de mísseis de Teerã havia sido proposto, mas foi vetado por insistência da diplomacia russa.Apesar disso, o rascunho de resolução pede que todos os Estados "vigiem" a entrada ou trânsito dos 12 altos funcionários do governo iraniano envolvidos com os programas listados pela ONU.A resolução diz ainda que o Conselho irá rever as anções do Irã a partir de um relatório da AIEA que será preparado nos próximos 60 dias. O objetivo é identificar se Teerã suspendeu o enriquecimento de urânio.Caso o Irã coopere, as sanções serão retiradas.Texto ampliado às 16h08

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.