Conselho de Segurança ameaça impor sanções econômicas ao Sudão

O Conselho de Segurança (CS) daOrganização das Nações Unidas (ONU) adotou nesta sexta-feira uma resolução por meio da qual ameaça adotar "ações"econômicas e diplomáticas ao Sudão se o governo do país africanonão desarmar em 30 dias as milícias árabes acusadas de matarmilhares de pessoas na região de Darfur, mas recuou diante dapossibilidade de ameaçar explicitamente com a imposição desanções. Em Cartum, o governo sudanês rejeitou a resolução do conselhosob a alegação de que o texto é conflitante com acordos vigentesentre o Sudão e a ONU. A resolução foi aprovada por 13 votos a favor e duasabstenções (China e Paquistão, que se opõem à ameaça de sanções) apesar dos esforços dos Estados Unidos para superar objeções aoretirar o termo "sanções", mas mantendo a ameaça de açõeseconômicas ou diplomáticas contra o governo sudanês. Os EUA e alguns de seus aliados defenderam que a resoluçãomantém a ameaça de sanções, apesar de não conter a palavra emsi. "A resolução alerta em termos severos e inequívocos que ogoverno sudanês deve cumpri-la", disse John Danforth, embaixadordos EUA na ONU. "O Sudão deve saber que corre o risco de sofrersanções", caso desobedeça à resolução. Washington e seus simpatizantes pressionam pela "rápidaadoção" do texto, apesar da persistente objeção por parte dealguns membros do CS. A ONU calcula que mais de 30.000 pessoas já foram assassinadasna região de Darfur, no oeste do Sudão. A região é palco de umacampanha de milícias árabes favoráveis ao governo que tentamexpulsar fazendeiros negros por causa de recursos naturais cadavez mais escassos. O conflito dura 17 anos. Além dos mais de 30.000 mortos, mais de um milhão de pessoasforam expulsas de suas casas na região. Enquanto isso, 2,2milhões de pessoas carecem urgentemente de comida e outros tiposde ajuda humanitária. O Congresso dos EUA rotulou a violência na região comogenocídio. A delegação brasileira no CS da ONU votou a favor daresolução.

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