AFP PHOTO / ABDULMONAM EASSA
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Conselho de Segurança aprova cessar-fogo de 30 dias em Ghouta, na Síria

Fim dos bombardeios permitirá entrada de ajuda humanitária em reduto rebelde depois de sete dias de bombardeios e mais de 500 mortos

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2018 | 16h48

Nova York - O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade neste sábado, 24, um cessar-fogo de 30 dias na Síria para permitir entrada de ajuda humanitária no reduto rebelde de Ghouta Oriental. Há sete dias as forças de segurança do presidente sírio, Bashar Assad, bombardeiam a região, no subúrbio de Damasco. Ao menos 500 pessoas morreram, mais de 100 crianças entre as vítimas. Há mais de 2.400  feridos.

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A Rússia, principal aliada de Assad na guerra da Síria, concordou com a interrupção das hostilidades. Nos últimos três dias os russos bloquearam as conversas sobre o cessar-fogo na ONU diversas vezes. Moscou afirma que o texto da resolução é conivente com grupos radicais islâmicos que operam em Ghouta Oriental, último bastião rebelde perto da capital da Síria, Damasco. 

Segundo o embaixador russo na ONU, Vassili Nebenzia, os rebeldes que estão em Ghouta lançaram “centenas de foguetes” contra Damasco, e se escondem em instalações médicas e educacionais para aumentar o número de vítimas civis. Cerca de 400 mil pessoas vivem em Ghouta.

Os russos queriam que o cessar-fogo começasse apenas 72 horas depois da aprovação da resolução, mas após quase três horas de conversas Moscou aceitou o início imediato. Segundo analistas, a Rússia se esforçou em adiar uma resolução para permitir que Damasco continuasse seus bombardeios.

 A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, disse que as mudanças no texto durante as negociações foram ínfimas, “apenas   palavras e vírgulas”. Ela culpou os sírios e seus aliados Rússia e Irã  por “não tomarem responsabilidade moral pela urgência da situação”. “Enquanto arrastavam a negociação, as bombas dos jatos de Assad continuavam a cair”, disse Haley.

“Nos três dias que demoramos para adotar esta resolução, quantas mães perderam seus filhos por bombardeios e disparos de artilharia? Quantas imagens  precisávamos ter visto de pais segurando seus filhos mortos? Tudo por nada, porque votamos por um cessar-fogo que  poderia ter salvado vidas dias atrás.”

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Com o acordo, caberá à Rússia usar a influência com o regime de Assad para garantir a aplicação do acordo e evitar novos bombardeios em Ghouta. Um dos termos da resolução prevê excluir da trégua grupos terroristas como o Estado Islâmico e Al-Qaeda. “Nosso temor é que essa brecha permita novos  ataques indiscriminados de Síria e Rússia”, criticou no Twitter a representante da Anistia Internacional na ONU, Sherine Tadros.

Os bombardeios do regime sírio de Bashar Assad mataram, em sete dias, cerca de 500 civis, entre eles 121 crianças e 65 mulheres, em Ghouta Oriental, distrito dominado por rebeldes perto de , informou neste sábado, 24, a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O balanço aumentou após bombardeios deste sábado, em que ao menos 29 pessoas, entre elas cinco menores de idade, morreram. Outras 2.453 pessoas ficaram feridas nos ataques, centenas delas em estado grave, além de dezenas de desaparecidos sob os escombros. / AFP, AP, W.POST e NYT


 




 

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