Conselho de Segurança aprova comunicado alertando Irã

Depois de três semanas de áridas negociações, o Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira por unanimidade um comunicado exigindo que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio. Esse processo, que o governo iraniano afirma ter finalidade pacífica, é visto pelos membros do Conselho como uma provável fachada para um plano de construção de armas nucleares, o que violaria o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual o Irã é signatário. O comunicado não tem caráter de obrigatoriedade, por não se tratar de uma resolução, e também não faz ameaças ao Irã. No texto, pede-se que o Irã suspenda suas atividades nucleares e cumpra as exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, se mostrou satisfeito com a declaração alcançada pelos membros do CS, pois significa uma forma de pressionar Teerã a "suspender suas operações de enriquecimento de urânio e de processamento de plutônio". "A declaração manda uma mensagem clara", disse Bolton. Ao anunciar o acordo, os embaixadores britânico, Emyr Jones Parry, e francês, Jean-Marc de la Sabière, explicaram que a Rússia retirou suas objeções ao texto depois de terem sido removidos trechos que se referiam ao Conselho de Segurança como "responsável pela paz e segurança internacional". Os cinco integrantes permanentes do Conselho (Rússia, China, Grã-Bretanha, França e EUA), detentores de poder de veto, negociaram os termos do texto apresentado originalmente pela França e Grã-Bretanha. Rússia e China Contrária a um texto com ameaças ao Irã, a Rússia temia que o comunicado pudesse ser usado como base para ações duras, como sanções econômicas ou diplomáticas, às quais se opõe. Nesse aspecto, teve o apoio da China, também contrária a ações punitivas. Ambos se opuseram às referências a uma decisão por parte do Conselho, pois querem que o caso seja tratado no âmbito da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ainda assim, o embaixador da Rússia, Andrey Denisov, foi cauteloso na hora de expressar sua satisfação com o acordo, e expressou seu desejo de que os outros 10 membros do Conselho se juntem ao consenso. "A elaboração da resolução é como um prato de cozinha. A linguagem poderia ser melhor. Mas é o apropriado neste momento. Reflete a preocupação dos membros do Conselho", declarou. Grã-Bretanha, França e EUA, defensores de um texto mais duro, tiveram de ceder. Neste sentido, o comunicado pede que dentro de 30 dias o diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, encaminhe ao Conselho de Segurança um relatório sobre as ações adotadas pelo Irã para atender às exigências do conselho. Apesar de a Rússia e a China também suspeitarem que os iranianos ocultem um plano secreto para produção de armas atômicas, são aliados do Irã e não querem pôr em perigo os vultosos negócios que mantêm com o país. O Conselho se apressou em firmar o acordo porque os chanceleres dos cinco membros com poder de veto se reúnem nesta quinta-feira em Berlim para discutir sua estratégia para o Irã. Os diplomatas não estabeleceram o que acontecerá se o Irã não suspender o enriquecimento de urânio dentro de 30 dias, mas sugeriram que isso será discutido em Berlim.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 19h33

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