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Conselho de Segurança aprova envio de tropas ao Chade

ONU autoriza França e outros países a ajudar o governo no combate dos rebeldes que tentam golpe político

Associated Press,

04 de fevereiro de 2008 | 14h11

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nesta segunda-feira, 4, a ofensiva rebelde no Chade e deu sinal verde para que a França e outros países auxiliem o governo a conter a onda de violência que começou no último sábado. A medida foi aprovada depois de que o embaixador do Chade, Mahamat Adoum, pediu em carta para que o Conselho apelasse para todos os países por ajuda para encerrar as agressões cometidas por rebeldes no que ele chamou de "golpe para tirar o governo legítimo". De acordo com organizações internacionais citadas pela France Presse, mais de 500 pessoas ficaram feridas na onda de violência.    Veja também:  Governo diz que tomou controle da capital  Entenda o conflito entre governo e rebeldes   Com medo de novos ataques, milhares fogem   Os rebeldes chadianos se retiraram da capital Ndjamena depois de encontrar forte resistência do governo, declararam as autoridades nesta segunda-feira. Porém, os militantes disseram que deixaram a cidade voluntariamente e que controlam ainda duas pontes estratégicas que cortam o rio Chari River, no leste da cidade. "Decidimos nos retirar para que a população tenha uma oportunidade de partir", disse o porta-voz dos rebeldes Abderaman Koulamallah.   Centenas de pessoas deixavam a cidade e a violência ameaça as forças de paz e de ajuda humanitária na região, onde se agrupavam os grupos que trabalham com refugiados de Darfur, no país vizinho Sudão.   O secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-Moon declarou-se "muito preocupado" com o combate. "Os combates foram pesados, as armas usadas eram pesadas", declarou o porta-voz do exército francês Christophe Prazuck "Provavelmente muitas pessoas foram feridas ou mortas". A França ainda mantém uma grande presença militar no país, ex-colônia francesa, e retirou centenas de estrangeiros na última semana.   Os rebeldes chegaram na capital na sexta-feira, depois de três dias de travessia do deserto, vindos da fronteira leste com o Sudão. Cerca de 1 mil a 1.500 insurgentes armados, em um comboio de 250 caminhões, entraram na capital na manhã de sábado, espalhando-se pelas ruas e mantendo o presidente Idriss Deby preso em seu palácio. No começo do domingo, as forças do governo bombardearam as posições rebeldes com helicópteros e tanques.   "O exército chadiano combateu vigorosa e continuamente e conseguiu ganhar terreno em volta do palácio presidencial no domingo à tarde, quando os rebeldes anunciaram que estavam deixando a cidade", disse Prazuck.   Sudão   Desde o começo dos combates, autoridades chadianas acusaram o Sudão de apoiar os rebeldes. O secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant, disse no domingo que o Sudão quer esmagar o regimes de Déby para impedir que a União Européia organize sua força de paz (EUFOR) que vai operar na fronteira com Darfur.   "Por que a intervenção acontece agora?", perguntou Guéant, na rádio francesa Europe-1. "Era o último momento, antes da chegada da EUFOR, para o Sudão atingir seu objetivo, tentar liquidar o regime de Idriss Déby".   Durante o ápice da crise, o governo francês se ofereceu para retirar Déby do país. Mas o presidente, que chegou ao poder liderando uma força rebeldes que tomou a capital em 1990, aparentemente recusou a oferta.   A força de paz deveria construir sua base na região de Adré, local que os rebeldes tomaram no domingo. Adré, perto da fronteira com Darfur, é um centro humanitário, cercado de campos com cerca de 420 mil refugiados de Darfur e chadianos que fugiram da violência. O general chadiano Mahamat Ali Abdallah Nassour culpou as tropas sudanesas de estarem envolvidas no ataque de Adré e qualificou de uma "declaração de guerra". O Ministro do Exterior do Chade, Amad Allam-Mi, disse na rádio francesa RFI, que o "Sudão não quer a força (de paz) porque abriria uma janela sobre o genocídio em Darfur".   O Sudão negou qualquer envolvimento. "Queremos reforçar que o Sudão não apóia nenhum lado" no Chade, declarou o porta-voz do Ministro do Exterior do Sudão, Ali al-Sadeq, em um comunicado no domingo. "Qualquer desenvolvimento no Chade reflete no Sudão e qualquer instabilidade teria um impacto negativo no país", acrescentou.   O comunicado do secretário-geral da ONU pede que "todos os países da região respeitem a inviolabilidade internacional das fronteiras e previna qualquer incursão lançada de seus territórios".   A violência coloca em risco os cerca de US$300 milhões investidos em operações humanitárias na nação. Não há nenhuma estatística de número de mortos, mas a organização francesa Médicos Sem Fronteiras disse que operou cerca de 50 feridos, sendo apenas um combatente, desde sábado, em hospitais da capital. Uma porta-voz em Paris da Cruz Vermelha Internacional declarou que os médicos teriam contado cerca de 200 feridos, e que civis foram feridos por balas. Centenas de pessoas deixaram a cidade, cruzando o rio Chari para Kousseri, no país vizinho Camarões, disse a agência de refugiados da ONU.   O chefe de políticas externas da ONU, Javier Solana, disse nesta segunda-feira que os combates no Chade não vão impedir a União Européia de deslocar sua tropa de 3.700 soldados de paz para proteger refugiados que fogem de Darfur. "Nossa ambição é manter a operação", disse Solana a jornalistas "Decidimos começar a operação no Chade porque sabemos que o país é muito importante para a estabilidade da região".   A ONU já enviou uma equipe de 70 soldados para preparar a operação, mas o envio do resto das tropas foi adiado desde quinta-feira, com o início dos combates.

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