Conselho de Segurança aprova força de paz para Darfur

O Conselho de Segurança da ONU autorizou nesta quinta-feira a criação de uma força de paz para a região sudanesa de Darfur, mas as tropas só poderão se mobilizar após o consentimento do governo do Sudão.A autorização foi aprovada através de uma resolução, com os votos a favor de doze dos quinze membros do Conselho e a abstenção da Rússia, China e Catar.A resolução autoriza a ampliação da Missão da ONU no Sudão(Unmis) em 17.300 soldados e 3.300 policiais civis, e pede ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que planeje junto à União Africana (UA) a transição da atual força de paz, conhecida como Amis, para uma força comandada pela ONU.A Amis é a atual força pacificadora da UA, com 7 mil efetivos em Darfur, e seu mandato termina no final de setembro. A resolução estabelece que a Unmis comece a assumir a segurança da região antes de 1º de outubro. Espera-se que o posicionamento das forças sejacompletado até o fim de dezembro. O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, voltou a criticar a missão de paz da ONU, por considerar que o projeto prevê a "ocupação total do Sudão".Após a votação, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, afirmou que é "fundamental" implementar a resolução, para pôr fim aos trágicos eventos que vêm ocorrendo na região. "A cada dia que passa, aumenta o sofrimento dos sudaneses", disse.Bolton disse esperar a cooperação "incondicional" e o apoio à nova força de paz da ONU por parte do governo sudanês. "Caso não apóie o acordo de paz, o governo do Sudão estaráprolongando a crise humanitária no país", afirmou.Os países que se abstiveram na votação afirmaram que não houve tempo suficiente para que o Sudão explicasse seu plano de pacificação de Darfur, que incluía o envio de 10 mil soldados à região.O embaixador adjunto do Catar, Jamal Nasser Al-Bader, afirmou que seu país era favorável a uma outra solução para a crise, em lugar de "uma resolução que ponha em risco a soberania do Sudão".Já o embaixador da China, Wang Guangya, afirmou que seu país apóia o processo de paz em Darfur, mas considerou que a pressão para aprovar o documento pode deteriorar ainda mais a situação. "A resolução pode aumentar a incompreensão e o confronto no Sudão, e dificultar a implementação do acordo de paz", afirmou.O embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, afirmou que é necessário manter um "diálogo construtivo" com o governo do Sudão, e que, para isso, será determinante a reunião especial do Conselho de Segurança, prevista para 8 de setembro.Participarão da reunião autoridades sudanesas e altosrepresentantes da União Africana, Liga Árabe e Organização da Conferência Islâmica.O conflito de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando os rebeldes da região pegaram em armas contra o governo de Cartum para protestar contra a marginalização.Como resposta, Cartum mobilizou as chamadas milícias Janjaweed, consideradas as responsáveis pelas mortes, estupros e saques nas aldeias da região, que forçaram 2,5 milhões de pessoas a refugiar-se em regiões de seu próprio país e do Chade.

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