Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Conselho de Segurança começa a debater pedido palestino

Premiê israelense rejeita condição árabe de congelar expansão de assentamentos

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h03

Os 15 membros do Conselho de Segurança se reuniram ontem para debater os procedimentos a serem adotados em relação ao pedido palestino de adesão à ONU. O embate diplomático, porém, parece distante do fim, principalmente após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, rejeitar a exigência palestina de congelar novas construções em assentamentos na Cisjordânia para voltar a negociar.

 

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Ainda sem data definida para uma votação, o próximo passo do Conselho de Segurança será começar a debater o pedido palestino em um comitê que aprova a entrada de novos membros na ONU. Todo o processo pode durar 35 dias. Independentemente do prazo, a solicitação palestina está fadada à rejeição, já que os EUA prometeram vetá-la.

Apesar do veto, os palestinos querem uma vitória simbólica. Nesse caso, precisam de 9 dos 15 votos no Conselho de Segurança. Por enquanto, contam com sete: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Líbano e Nigéria - que no fim se semana anunciou que votará com os palestinos. A Alemanha deve apoiar Israel e a Colômbia já disse que se absterá. Os demais países - Bósnia, Portugal, Grã-Bretanha, França e Gabão - não anunciaram o voto.

O chanceler do Brasil, Antonio Patriota, negou ontem na ONU que o Brasil esteja tentando convencer outros países a apoiar os palestinos, mas admitiu que tem coordenado o andamento do processo.

Sobre a posição brasileira, ele disse que "o Brasil votará a favor" do reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU, conforme afirmou a presidente Dilma Rousseff em seu discurso na Assembleia-Geral, na semana passada.

Em paralelo aos debates no Conselho de Segurança, mediadores internacionais, incluindo o Brasil, negociam um cronograma proposto pelo Quarteto - EUA, Rússia, União Europeia e ONU. Apesar de os palestinos terem indicado que não gostaram da proposta, a comunidade internacional ainda aguarda uma resposta oficial.

A Autoridade Palestina já declarou que voltará ao diálogo apenas se Israel suspender a construção de assentamentos na Cisjordânia e se as fronteiras de 1967 forem usadas como base para seu futuro Estado.

Em Jerusalém, Netanyahu disse que "não suspenderá a construção de novos assentamentos" para convencer os palestinos. Já o ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, afirmou que, apesar de ter reservas com relação à proposta do Quarteto, a declaração dos mediadores internacionais "foi uma significante conquista de Israel".

No entanto, até o momento, nem mesmo Tel-Aviv deu uma resposta oficial à oferta. O cronograma estabelecido pelo Quarteto prevê que as negociações de paz devam ser preparadas em um prazo de 30 dias. Após três meses, os dois lados devem apresentar propostas sobre segurança e fronteiras. "Progressos substanciais" devem ser obtidos em seis meses e um acordo final seria firmado antes do fim de 2012.

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