Conselho de Segurança começa a redigir sanções contra o Irã

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha concordaram nesta quarta-feira em começar a redigir na próxima semana um projeto de resolução com sanções contra o Irã por este se negar a suspender o enriquecimento de urânio, informou o governo americano. A decisão foi tomada durante videoconferência entre diplomatas dos EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. Os EUA pressionam por duras sanções como punição pelo fato de o Irã não ter cumprido o prazo de 31 de agosto para suspender o enriquecimento de urânio, mas Rússia e China preferem medidas leves e insistem na diplomacia.Mantendo o tom desafiador, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, disse não temer sanções. "O dia em que os inimigos impuserem sanções ao Irã será um dia de celebração nacional", disse ele a partidários em Robat Karim, ao sul de Teerã.Washington suspeita que o programa nuclear iraniano tenha fins militares. Teerã nega, dizendo que necessita do urânio enriquecido apenas como combustível para usinas nucleares de geração de energia elétrica.Autoridades iranianas já deixaram claro que a indignação internacional contra o teste atômico da Coréia do Norte não impedirá o Irã de seguir em frente com seu programa nuclear. Para analistas, o teste norte-coreano, na verdade, foi um alívio para o Irã porque tira o foco do seu programa e canaliza a fúria dos americanos na direção da Coréia do Norte. E a incerteza da comunidade internacional sobre de que forma punir a Coréia do Norte parece ter reforçado a crença dos líderes do Irã de que eles têm pouco a temer.Órgãos de informação ocidentais discordam sobre o tempo necessário para que o Irã atinja o ponto no qual a Coréia do Norte chegou nesta semana. O governo americano diz oficialmente que o Irã está a dez anos de produzir uma arma nuclear, mas analistas do serviço de informações israelenses e indícios da Agência Internacional de Energia Atômica sugerem que Teerã poderá detonar um dispositivo atômico muito antes. Um ex-especialista americano em armas nucleares que tem acesso às informações mais recentes disse ao Los Angeles Times que dentro de um ano ou até em menos tempo o Irã será capaz de fazer uma detonação de teste.O Irã insiste que seu esforço para enriquecer urânio tem como objetivo somente usos pacíficos. O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para um reator. Quando enriquecido a um grau mais alto, pode ser utilizado para se fazer uma bomba.Na terça-feira, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que o Irã insistirá no seu direito, em conformidade com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de desenvolver o ciclo de combustível nuclear para finalidades civis. "Nossa política é clara - insistir no direito da nação sem recuar", foi o que disse Khamenei numa reunião com autoridades do alto escalão do governo, conforme foi citado pela televisão estatal.Matéria alterada às 21h09 para acréscimo de informações

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