Conselho de Segurança critica regime sírio

Organização condena ataques pró-Assad contra embaixadas dos EUA e França; Casa Branca diz que líder perdeu legitimidade

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Em sinal de endurecimento contra o regime de Damasco, o Conselho de Segurança da ONU condenou ontem os ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos e da França na Síria, ocorridos no dia anterior. A decisão foi tomada no mesmo dia em que o governo americano afirmou que o presidente sírio, Bashar Assad, perdeu a legitimidade.

"Os membros do CS condenam nos seus mais duros termos os ataques contra as embaixadas em Damasco, que resultaram em danos às propriedades e ferimentos em funcionários diplomáticos", disse o embaixador da Alemanha junto à ONU, Peter Wittig, que exerce a presidência rotativa do órgão. Segundo o diplomata, o CS pede que o regime sírio "tome as medidas necessárias para garantir a proteção das representações diplomáticas."

Na segunda-feira, manifestantes pró-Assad atacaram as embaixadas dos dois países, picharam muros, quebraram janelas e lançaram objetos contra as representações diplomáticas. Damasco nega envolvimento na ação e disse que os responsáveis foram presos. O embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, disse que "americanos e franceses exageraram nos relatos".

A declaração aprovada não é uma resolução. Há quase dois meses, França e EUA tentam elaborar um texto para condenar a violência do regime contra os opositores. Mas China e Rússia ameaçam vetar qualquer resolução, mesmo que não contenha sanções.

Os ataques contra as embaixadas teriam sido causados pela visita dos embaixadores dos EUA e da França à cidade de Hama no fim de semana, quando protestos contra o regime reuniram milhares de pessoas. A cidade, conhecida por ter sido palco de um massacre nos anos 80, concentra os principais atos anti-Assad na Síria e tem sofrido violenta repressão das forças de segurança. Mais de 1.400 pessoas foram mortas na repressão em todo o país e outras 12 mil foram presas.

Apesar de evitar pedir formalmente a saída de Assad, o presidente Barack Obama disse ontem à CBS News que o líder sírio "perdeu legitimidade ao se recusar a liderar uma transição democrática". No mais duro tom usado até agora, Obama disse que Assad perdeu várias oportunidades de apresentar uma genuína reforma política. Na segunda-feira, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou que Assad "não é indispensável". No início dos protestos, os americanos acreditavam que Assad promoveria reformas. Com o passar dos meses e a intensificação da repressão, a posição americana endureceu.

O regime sírio concluiu ontem um diálogo de dois dias em que foi acertado um sistema multipartidário e a formação de uma comissão para reescrever a Constituição. Opositores dizem que as medidas são cosméticas.

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