Conselho de Segurança da ONU aprova envio de 2 mil soldados à Costa do Marfim

Objetivo é pressionar a saída de Gbagbo do poder

Efe

19 de janeiro de 2011 | 15h53

NAÇÕES UNIDAS - O Conselho de Segurança da ONU adotou nesta quarta-feira, 19, uma resolução que autoriza o envio de 2 mil soldados à Costa do Marfim para reforçar a missão do organismo no país (Unoci) e pressionar o presidente de fato, Laurent Gbagbo, a deixar o cargo.

 

A resolução, promovida por França e EUA, teve o apoio unânime dos 15 membros do principal órgão de segurança das Nações Unidas, depois que algumas divergências sobre a redação do texto que impediram sua adoção na terça-feira foram superadas.

 

O documento aprovado nesta quarta-feira também exige aos veículos de informação partidários de Gbagbo que ponham fim à "propagação de informação falsa" para incitar a violência contra os capacetes azuis da ONU.

 

Além disso, dá o sinal verde para o desdobramento de três helicópteros de artilharia da missão da ONU na vizinha Libéria (UNMIL) e amplia por mais quatro semanas a presença dos 500 soldados de reforços da UNIML que já tinham sido enviados no final do ano passado.

 

Os 2 mil novos militares correspondem aos reforços que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, solicitou na semana passada para a Unoci.

 

Ban afirmou que era necessário aumentar as tropas da Unoci para enfrentar uma situação cada vez mais hostil e garantir a proteção dos civis, particularmente nos bairros de seguidores de Alassane Ouattara, quem a comunidade internacional considera vencedor das eleições de novembro.

 

Os comboios das Nações Unidas foram alvo de disparos de partidários de Gbagbo e seus caminhões com provisões foram saqueados por jovens incitados pelos seguidores do governante, segundo a Unoci.

 

Os responsáveis pela missão também alertaram para a deterioração da situação no Hotel Golf, sede do governo de Ouattara, que permanece cercado pelas forças de Gbagbo há um mês e meio.

 

A autorização dos novos reforços pelo Conselho de Segurança coincide com o fracasso da segunda tentativa do enviado da União Africana (UA) e primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, de solucionar a crise política que ameaça o país com uma nova guerra civil.

 

Odinga, quem chegou na segunda-feira passada a Abidjan para tentar convencer Gbagbo a transferir o poder, deixou a capital marfinense na manhã desta quarta-feira após declarar à imprensa que náo obteve "o avanço esperado".

 

Por sua vez, o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, afirmou após uma reunião de líderes militares dos membros da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), que a organização continua considerando retirar Gbagbo através da força.

 

A crise da Costa do Marfim se suscitou após o segundo turno do pleito presidencial de 28 de novembro, quando a Comissão Eleitoral Independente (CEI) declarou a vitória de Ouattara, resultado que foi certificado pela Onuci e reconhecido pela comunidade internacional.

 

Gbagbo não reconheceu esse resultado e recorreu ao Conselho Constitucional, controlado por seus seguidores, que anulou a votação em sete departamentos amplamente favoráveis a Ouattara, declarando a sua reeleição.

 

A comunidade internacional não reconheceu sua vitória e exigiu que ele deixasse o poder.

 

Os enfrentamentos que se produziram desde então deixaram ao menos 247 mortos, embora os defensores dos direitos humanos suspeitem que o número real de vítimas seja muito maior.

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