Youssef Badawi/EFE
Youssef Badawi/EFE

Conselho de Segurança da ONU autoriza envio de 300 observadores à Síria

Enviados têm a missão de comprovar que cessar-fogo está sendo respeitado por Assad e rebeldes

EFE,

21 de abril de 2012 | 13h22

Nações Unidas - O Conselho de Segurança da ONU aprovou neste sábado por unanimidade uma resolução que autoriza o envio de uma missão de 300 observadores militares desarmados à Síria para comprovar que está sendo cumprido o cessar-fogo estipulado entre as partes.

"A aprovação desta resolução é fundamentalmente importante para impulsionar o plano de paz de (o emissário especial, Kofi) Annan", afirmou após a aprovação do embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, que acrescentou que ela também ajuda "a estabilizar a presença da ONU na Síria".

"Decide-se estabelecer por um período inicial de 90 dias a missão de supervisão da ONU na Síria, com um componente inicial de 300 observadores militares desarmados e dirigido por um deles, assim como de pessoal civil", indica a resolução adotada de forma unânime pelos 15 membros do Conselho, sob a presidência rotativa dos Estados Unidos.

Com relação ao principal ponto que tinha causado divergências entre a Rússia e os países ocidentais que têm lugar no Conselho - o de como seriam as ações futuras a serem adotadas pelo principal órgão de segurança internacional se a Síria descumprir seus compromissos -, ficou resolvida "a intenção de avaliar a aplicação da presente resolução e examinar a possibilidade de adotar outras medidas, se for necessário".

"Após tantos meses de bloqueio, a Síria deve escutar a mensagem unânime da comunidade internacional e entender o significado de seu compromisso para que ponha fim a esta situação intolerável", disse o embaixador da França, Gérard Araud, que calculou em mais de 11.000 o número de mortos causados pela repressão síria.

Araud acrescentou que "a situação é inquietante pela rejeição de Damasco a cumprir seus compromissos" com o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, tal como afirmado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O plano de paz de Annan, em vigor desde 12 de abril, estipula o fim das hostilidades, a retirada dos tanques das cidades, a libertação dos detidos de forma arbitrária e o início de um diálogo entre o governo e a oposição, entre outros pontos.

"O Exército sírio realiza retiradas enganosas e prossegue os bombardeios e o uso de artilharia pesada" contra os centros de população civil, disse Araud, que ressaltou que "o envio do primeiro grupo de observadores à Síria não mudou o comportamento assassino do regime", e os confrontos continuam nas cidades de Homs, Idlib, Deraa e Duma.

Por sua vez, o embaixador da Alemanha, Peter Wittig, insistiu igualmente que "a decisão de hoje resulta em riscos: o cessar-fogo é incompleto, e as autoridades sírias continuam bombardeando as cidades, e também há violações e abusos contra mulheres, crianças e minorias".

Na Síria, o regime libertou hoje 30 detidos em uma jornada marcada por uma série de ataques em diversas partes do país e a chegada dos observadores da ONU à castigada cidade de Homs, onde neste sábado teriam cessado as operações de artilharia.

Opositores e grupos de defesa dos direitos humanos asseguraram, por sua vez, que houve uma forte explosão neste sábado no aeroporto militar de Al Moza, nas cercanias de Damasco.

Desde que começaram os confrontos entre as forças governamentais do regime sírio e a oposição, há 13 meses, mais de 10.000 pessoas morreram, segundo dados da ONU, elevados por grupos opositores a 13.000.

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