Conselho de Segurança da ONU condena violência na Líbia

Liga Árabe também critica ação do governo contra manifestante e suspende o país das reuniões do órgão.

Alessandra Corrêa, BBC

22 de fevereiro de 2011 | 21h00

Líder líbio indicou que não pretende renunciar ao poder

O Conselho de Segurança da ONU condenou nesta terça-feira o uso de violência contra manifestantes na Líbia e pediu que os autores de ataques contra civis sejam responsabilizados.

Em um comunicado divulgado após uma reunião de emergência, em Nova York, os 15 países membros do Conselho - cuja presidência rotativa está a cargo do Brasil neste mês - pediram o fim imediato da violência e que as autoridades líbias atendam às demandas da população.

O Conselho pediu ainda que o governo garanta a segurança dos estrangeiros no país e que agentes humanitários possam ter acesso aos feridos durante os protestos.

Horas antes, a Liga Árabe suspendeu a Líbia de futuras reuniões da organização, até que as demandas do povo líbio sejam atendidas.

"Pedimos o fim imediato da violência e fazemos um apelo por um diálogo nacional. Também pedimos respeito pelos direitos dos cidadãos, para que ele possa expressar suas opiniões pacificamente", disse o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, durante uma reunião de emergência no Cairo.

'Mártir'

Durante a tarde, o líder líbio, Muamar Khadafi, afirmou que não deixará o país nem que isso represente a sua própria morte.

Em um discurso transmitido pela TV estatal da Líbia, Khadafi descartou a possibilidade de renúncia e disse que morrerá no país "como um mártir".

Ele disse ainda que "covardes e traidores" estão tentando mostrar a Líbia como estando em caos, e que os "inimigos do país estão tentando manchar a imagem da nação".

E alertou que, se for necessário, será usada a força, mas de acordo com a lei internacional.

Tensão

Em Trípoli, o clima é de tensão, segundo a correspondente da BBC na cidade. As ruas estão quase vazias, mas há filas para comprar pão e gasolina. A maioria do comércio está fechada. Há relatos de distúrbios e incêndios em alguns locais, e a presença do Exército é constante pelas ruas.

Muitas pessoas temiam sair de casa após uma noite de confrontos duros. Testemunhas relataram cenas de massacre e de corpos que se acumulavam nas ruas em algumas partes da cidade.

"Eles não fazem distinção (entre civis e militares), estão atirando para limpar as ruas", disse nesta terça à BBC News um morador de Trípoli, que não quis se identificar. "(Os atiradores) não são humanos, não sei o que são."

Não é possível obter uma confirmação oficial sobre o número de mortos, que já podem ser centenas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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