Conselho de Segurança da ONU condena violência na Líbia

Liga Árabe também critica ação do governo contra manifestante e suspende o país das reuniões do órgão.

Alessandra Corrêa, BBC

22 de fevereiro de 2011 | 22h27

Líder líbio indicou que não pretende renunciar ao poder

O Conselho de Segurança da ONU condenou nesta terça-feira o uso de violência contra manifestantes na Líbia e pediu que os autores de ataques contra civis sejam responsabilizados.

Em uma declaração conjunta divulgada após uma reunião de emergência, em Nova York, os 15 países membros do Conselho - cuja presidência rotativa está a cargo do Brasil neste mês - pediram o fim imediato da violência e que as autoridades líbias atendam às demandas da população.

"Os membros do Conselho de Segurança expressaram grave preocupação com a situação na Líbia", disse a embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ao ler a declaração.

"Eles condenaram a violência contra civis, deploraram a repressão contra manifestantes pacíficos e expressaram profundo pesar pelas mortes de centenas de civis", disse a embaixadora. "E pediram o fim imediato da violência e medidas para atender às demandas legítimas da população, inclusive por meio do diálogo nacional."

Horas antes, a Liga Árabe anunciou a suspensão da Líbia de futuras reuniões da organização, até que as demandas do povo líbio sejam atendidas.

"Pedimos o fim imediato da violência e fazemos um apelo por um diálogo nacional. Também pedimos respeito pelos direitos dos cidadãos, para que ele possa expressar suas opiniões pacificamente", disse o secretário-geral da Liga Áraba, Amr Moussa.

Responsabilidade

Organizações humanitárias calculam que centenas de manifestantes tenham morrido em confrontos com forças de segurança desde a semana passada em protestos contra o governo do coronel Muamar Khadafi. No entanto, não é possível confirmar o número exato de mortos, já que a imprensa estrangeira é vetada no país.

Para o vice-embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Al-Dabbashi, há genocídio por parte do governo

Os membros do Conselho de Segurança pediram ainda que o governo líbio "cumpra com a sua responsabilidade de proteger a população" e que garanta a segurança dos estrangeiros no país.

Na declaração, os membros do Conselho também "sublinharam a necessidade" de que o governo líbio respeite os direitos de liberdade de expressão, incluindo liberdade de imprensa, e pediram o fim imediato das restrições sobre "todas as formas de mídia" em vigor no país.

A reunião de emergência para discutir a crise na Líbia havia sido pedida por membros da delegação líbia na ONU, em uma demonstração de descontentamento com o governo de Khadafi.

Na segunda-feira, o vice-embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Al-Dabbashi, chegou a dizer que o povo líbio deveria ser protegido do que chamou de "genocídio" por parte do governo.

Os diplomatas líbios também pediram que a ONU interditasse o espaço aéreo sobre a capital Trípoli, devido a relatos de que aviões de combate estariam disparando contra manifestantes. Segundo diplomatas, porém, esse tema não chegou a ser discutido na reunião desta terça-feira.

Depois das declarações de Dabbash, o embaixador líbio na ONU, Abdurrahman Mohammed Shalgam, preferiu se distanciar de seu vice e negou o uso de aviões contra os manifestantes.

'Mártir'

Durante a tarde, o líder líbio, Muamar Khadafi, afirmou que não deixará o país nem que isso represente a sua própria morte.

Em um discurso transmitido pela TV estatal, ele descartou a possibilidade de renúncia e disse que morrerá no país "como um mártir".

Disse ainda que "covardes e traidores" estão tentando mergulhar o país no caos e alertou que, se for necessário, será usada a força, mas de acordo com a lei internacional.

Em Trípoli, o clima é de tensão, segundo a correspondente da BBC na cidade. Testemunhas relataram cenas de massacre e de corpos que se acumulavam nas ruas em algumas partes da cidade.

"Eles não fazem distinção (entre civis e militares), estão atirando para limpar as ruas", disse nesta terça à BBC News um morador de Trípoli, que não quis se identificar. "(Os atiradores) não são humanos, não sei o que são."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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