Conselho de Segurança da ONU discute zona de exclusão aérea na Líbia

Resolução deve ser votada definitivamente na quinta-feira, mas órgão segue dividido

estadão.com.br

16 de março de 2011 | 19h44

NOVA YORK - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estuda a imposição de uma zona de exclusão aérea (no-fly zona, em inglês) sobre a Líbia. O órgão votaria uma resolução decretando a medida nesta quarta-feira, 16, mas com seus 15 membros divididos, a expectativa é que o texto não seja aprovado e volte a ser discutido na quinta.

 

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Os países que advogam pela imposição da zona - França, Líbano e Reino Unido - têm o apoio da Liga Árabe e seguem pressionando os outros membros a apoiá-los. Rússia e Alemanha, por exemplo, não se posicionaram. Os EUA também seguem sem uma opinião clara sobre o assunto.

 

 

A zona de exclusão aérea é um pedido dos rebeldes líbios, que lutam para derrubar o ditador Muamar Kadafi, no poder há 41 anos. Há um mês, eles se levantaram contra o coronel inspirados nas revoltas que derrubaram os regimes ditatoriais da Tunísia e do Egito no início do ano. Kadafi tem usado aviões para bombardear os rebeldes e a Líbia sofre com a guerra civil.

 

 

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a pressionar o Conselho a aprovar a zona. Seu pedido foi feito em carta endereçada aos líderes dos países membros do órgão, que se reuniram a portas fechadas fechada para discutir a situação líbia.

 

Na carta, Sarkozy disse que Kadafi prossegue com "suas ações assassinas contra seu povo", apesar de uma resolução de fevereiro e que, agora, eles precisariam "assumir as responsabilidades". "Vamos juntos salvar o povo líbio martirizado. O tempo agora está sendo contado em dias, ou até horas".

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que está no Egito, afirmou que o Washngton "compreende a urgência da situação". Sobre a zona de exclusão aérea, porém, a diplomata disse que se trata de uma decisão a ser tomada pelo Conselho de Segurança. Segundo ela, o órgão deve votar a resolução somente na quinta-feira.

 

A demora, porém, pode ser fatal para a revolução líbia, de acordo com os países que querem a imposição da zona. Kadafi deu um ultimato aos rebeldes para deixarem Benghazi, principal reduto opositor. A tomada da cidade representaria a derrota dos insurgentes. Há duas semanas, a revolta pressionava o ditador, mas quem está na defensiva agora são os que querem derrubá-lo.

 

Com BBC e Associated Press

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