Conselho de Segurança da ONU não chega a acordo sobre condenação ao ataque

O Conselho de Segurança da ONU não conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração condenando Israel pelo ataque ao centro de observação da ONU no sul do Líbano. O principal problema foi a divergência entre Estados Unidos e outros membros do órgão sobre a forma de qualificar o incidente. De acordo com diplomatas, as negociações serão retomadas nesta quinta-feira. Os 15 membros do Conselho discutiram durante horas o texto de uma declaração conjunta para condenar o ataque aéreo, que, segundo a ONU, foi proposital. O posto de observação da Força Interina da ONU no Sul do Líbano (Unifil) abrigava quatro observadores militares, que morreram no bombardeio. Os EUA se opuseram a considerar o ataque "deliberado" e a utilizar o termo "condenação" para as ações militares israelenses. A China, país de origem de um dos observadores mortos, pressionou o Conselho a adotar a declaração e chegou a ceder para eliminar um parágrafo que condenava explicitamente "qualquer ataque deliberado" contra o pessoal da ONU. O presidente do Conselho, o embaixador francês, Jean Marc de la Sablière, informou que as negociações continuarão nesta quinta devido àimpossibilidade de alguns representantes de consultar seus governos. "Os membros do Conselho estão conscientes da responsabilidade do órgão de garantir a segurança dos observadores da Unifil, que trabalham em condições difíceis", declarou. Como representante de seu país, de la Sablière opinou que "um ataque às forças pacificadoras da ONU é um ataque à comunidade internacional", que deve ser condenado, numa crítica à posturacontrária dos EUA. Já o embaixador da China, Wang Guangya, que queria a adoção da declaração ainda na quarta-feira, considerou que a unidade do Conselho é muito importante. Por isso, argumentou, vale a pena esperar para continuar as discussões. "A morte dos observadores é uma grande preocupação para o Conselho, que autoriza a sua convocação. Devemos assumir a proteção (dos observadores)", assinalou. Após defender a unidade do Conselho, Guangya avaliou que o bloqueio dos EUA pode afetar outros assuntos em discussão, em referência aocaso do Irã. "Se queremos unidade nesta questão, também vamos querer em outras", declarou.

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