Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir situação da Líbia

Situação de milhares de trabalhadores estrangeiros que tentam sair do país será um dos temas prioritários na reunião.

BBC Brasil, BBC

28 de fevereiro de 2011 | 06h51

Milhares de egípcios vêm tentando sair da Líbia

Ministros das Relações Exteriores de diferentes países vão se reunir nesta segunda-feira durante um encontro do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para discutir uma medida conjunta em resposta à crise humana na Líbia.

Dezenas de milhares de estrangeiros, em sua maioria egípcios, estão presos perto da fronteira da Líbia com a Tunísia, sem comida e sem abrigo.

A Líbia vive um perigoso impasse, com as forças rebeldes avançando para cada vez mais perto da capital do país, Trípoli, mas o líder do país, Muamar Khadafi, segue irredutível em sua disposição de permanecer no poder.

A caminho de Genebra, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os Estados Unidos ''estão se aproximando de diferentes líbios no Leste'', em referência à região do país que já está no controle dos rebeldes.

Hillary afrimou que irá discutir esforços coordenados tanto nas frentes humanitárias como políticas, com colegas da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África.

Acredita-se que pelo menos mil pessoas foram mortas durante as duas semanas de conflitos entre ativistas anti-governo e partidários de Khadafi.

A ONU estima que que cem mil pessoas fugiram da Líbia na semana passada.

Êxodo

O êxodo de trabalhadores egípcios a partir do Oeste da Líbia começou na quarta-feira, mas vem se intensificando desde então, como relatou repórter da BBC Jim Muir, enviado à região de Ras Jdir, na fronteira com a Tunísia.

Atualmente, cerca de mil pesoas por hora estão atravessando a fronteira da Líbia para a Tunísia, disse Muir. De acordo com o enviado da BBC, a situação na região é caótica, mas a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) deve montar um acampamento para refugiados ainda nesta segunda.

A Tunísia está aguardando a chegada de mais aviões e navios com imigrantes vindos da Líbia, mas as autoridades do país contam que não estão sendo capazes de arcar com o grande número de pessoas, como disse à BBC Liz Eyster, uma oficial da ACNUR baseada na Tunísia.

''Eles estão acomodando pessoas em abrigos, escolas e até em suas próprias casas, mas agora ficamos sabendo que eles estão próximos de seu limite e precisam do apoio da comunidade internacional'', afirmou a funcionária da ACNUR.

Monji Slim, o representante local do Crescente Vermelho, descreveu a situação na região como ''uma crise humana''.

''O mundo inteiro precisa se mobilizar para ajudar o Egito a repatriar seus cidadãos'', disse Monji Slim à agência de notícias AFP.

Um dos refugiados presos na região da fronteira afirmou: ''Todas as pessoas estão protestando porque elas querem ir ao Egito. Todos os países estão enviando aviões para resgatar seus cidadãos - Turquia, Coreia, Índia, Bangladesh - todos estão chegando e partindo, exceto pelos egípcios''.

No domingo, um navio grego transportando 148 brasileiros partiu da Líbia com destino à Grécia. Os brasileiros na embarcação eram funcionários da empresa Queiroz Galvão, com sede em Benghazi, a segunda maior cidade do país e que passou para o controle dos rebeldes há alguns dias.

Medidas

O coronel Muamar Khadafi está enfrentando o maior desafio ao seu governo, desde que tomou o poder por meio de um golpe militar, em 1969. Mas ele ainda mantém firme controle sobre a capital, Trípoli.

A região central da cidade de Zawiya, há cerca de 50 quilômetros a oeste da capital, foi tomada por ativistas antigoverno no domingo, enquanto partidários do governo cercam a cidade.

A cidade de Benghazi está aos poucos retomando o seu dia a dia, com a reabertura dos bancos, mas, como relatou o repórter da BBC na cidade, Kevin Connelly, ainda não está claro o que vai acontecer quando o dinheiro acabar.

Segundo o repórter da BBC, uma dificuldade adicional que os rebeldes encontram para derrubar Khadafi é o fato de que não há um Exército rebelde capaz de fazer um percurso de 1.600 quilômetros para atacar a última região controlada pelo líder líbio.

No sábado, o Conselho de Segurança da ONU apoiou por unanimidade um embargo à venda de armas para a Líbia e o congelamento dos bens de autoridades do país.

O Conselho solicitou ainda que a Khadafi seja referido ao Tribunal Criminal Internacional para investigar possíveis crimes contra a humanidade cometidos pelo líder líbio durante a repressão aos protestos contra o seu governo.

Em entrevista à uma rede de TV da Sérvia, Khadafi afirmou que as sanções não surtirão efeito. ''O povo da Líbia me apoia, pequenos grupos rebeldes estão cercados e nós iremos lidar com eles'', afirmou.

O filho de Khadafi, Saif al-Islam, negou que seu pai possua contas no exterior.

''Somos uma família modesta e todos sabem disso'', disse, em entrevista à rede ABC. ''Eles estão dizendo que temos dinheiro na Europa, na Suíça. É uma piada'', afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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