Conselho de Segurança discutirá caso iraniano

Após três dias de intensos debates e uma escalada retórica que intensificou as diferenças entre o Irã e os Estados Unidos, o Conselho de Governadores da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) decidiu nesta quarta-feira que irá enviar ao Conselho de Segurança da ONU um relatório sobre o programa nuclear iraniano. O órgão, que se reunirá já na semana que vem para discutir o caso, tem poder de impor sanções contra a república islâmica. Segundo o subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, os membros do conselho devem iniciar encontros na próxima segunda ou terça-feira. Para Burns, há quase um consenso internacional de que o Irã está trabalhando para produzir armamento nuclear. Teerã, no entanto, alega que visa apenas desenvolver tecnologia para a produção de energia. "O debate tem como objetivo esclarecer o que acreditamos ser um evidente programa para a criação de armas nucleares", ele disse. Em um pronunciamento no Comitê de Relações Internacionais da Casa Branca, Burns disse que o governo americano espera uma declaração de condenação do conselho contra o Irã. Ele enfatizou, no entanto, que a administração Bush disse que gostaria de ir "além, pois espera uma resolução para isolar e influenciar o comportamento de Teerã". Burns completou: se o Irã não cooperar com as declarações e resoluções, "aí nós acreditamos que a comunidade internacional deve vislumbrar a possibilidade de impor sanções". Isso não significa, no entanto, que os Estados Unidos alcançarão seus objetivos com facilidade. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse nesta quarta-feira que não acredita que a imposição de sanções seja a melhor maneira de superar a crise. Como membro permanente do Conselho de Segurança com poder de veto, a Rússia pode minar a posição defendida pelos EUA, Grã-Bretanha e França. Os três países acham que o órgão deve liderar os esforços para que o Irã cumpra com suas obrigações nucleares. A China, quinto membro permanente do Conselho, compartilha da posição russa. Falando minutos após encontrar-se com o secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, Lavrov sugeriu que se o conselho liderar o processo de discussão, Teerã cumprirá com suas ameaças de abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e irá expulsar os inspetores da AIEA do país. "Nós devemos apostar em uma solução que não crie mais dificuldades para a atuação da AIEA no Irã." Lavrov também descartou ações militares contra a república islâmica dizendo que "não há solução militar para essa crise". Defendendo posição diametralmente oposta, o porta-voz da Casa Branca, Sean McComark, disse que os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França estão trabalhando em um relatório conjunto que irá expor todas as exigências do conselho em relação ao Irã. Ele acrescentou que levar o caso ao CS irá deixar o Irã em uma posição desconfortável. "Todos concordam; não há opiniões divergentes sobre o fato de que o Irã não deve ter permissão para produzir armamento nuclear", ele disse. "Isso seria um fator de desestabilização para a região e para o mundo."

Agencia Estado,

08 Março 2006 | 21h39

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