Conselho de Segurança está ultrapassado, diz Amorim

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está ultrapassado e precisa de sangue novo, disse o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, nesta segunda-feira. Ele reclamou também que os membros não permanentes não são levados a sério. "O Conselho de Segurança (CS) já não reflete a realidade política", mas "a realidade de 65 anos atrás", disse Amorim aos jornalistas durante uma visita a Viena, onde se reuniu com o chanceler austríaco, Michael Spindelegger.

AE, Agência Estado

21 de junho de 2010 | 19h46

O Conselho de Segurança deveria olhar para o G-20, o grupo de economias industrializadas e emergentes, disse ele, e incluir países como o Brasil, a Índia e a África do Sul como membros permanentes, além dos atuais cinco integrante com direito a veto - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China e França. Amorim também criticou o conselho por não ter levado a sério a tentativa conjunta do Brasil e da Turquia, no mês passado, de controlar o programa nuclear iraniano.

Brasil e Turquia, ambos membros não permanentes do CS, conseguiram um acordo de troca de materiais nucleares com o Irã numa tentativa de evitar novas sanções contra Teerã. Mas o acordo foi desconsiderado pelos Estados Unidos e outras potências da ONU. "Isso lança dúvidas sobre (nossa) credibilidade. A Turquia e o Brasil são países emergentes de conduta imaculada que se aproximaram de Teerã com boas intenções", afirmou Amorim.

O chanceler brasileiro também reclamou da "falta de transparência e de nível técnico", lembrando que os membros não permanentes do conselho só tomaram conhecimento do novo esboço das sanções contra o Irã pelos meios de comunicação. Brasil e Áustria estão entre os dez membros não permanentes do Conselho de Segurança, que mudam a cada dois anos. As informações são da Dow Jones.

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