Conselho de Segurança procura consenso sobre o Irã

Os ministros de relações exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, junto com o da Alemanha, vão buscar nesta quinta-feira, em Berlim, um texto de consenso para exigir que o Irã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio. O porta-voz da chancelaria alemã, Martin Jaeger, ressaltou nesta quarta-feira que "ainda não está claro se chegaremos a uma linha comum", mas acrescentou que todos têm esperanças. O próprio ministro de relações exteriores, Frank-Walter Steinmeier, durante um debate parlamentar sobre o orçamento geral, disse que o Conselho de Segurança ainda não entrou em acordo sobre o que fazer no caso do Irã. A reunião com os ministros dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China acontece em Berlim por iniciativa do governo alemão. A Alemanha entra no grupo como integrante da troika européia, que negocia com o Irã. Jaeger explicou que o Governo quis aproveitar a visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, para convidar os outros membros permanentes do Conselho de Segurança. "Amanhã (quinta-feira), vamos tentar definir uma posição comum para uma declaração presidencial no Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear iraniano", informou Jaeger. Ele, no entanto, não quis entrar em detalhes sobre a oposição da Rússia e da China à minuta atual no Conselho. A Alemanha pretende fazer uma nova "advertência" ao Irã para que cumpra as condições impostas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para o reatamento das negociações. Dentre elas, a mais importante é a de suspender o enriquecimento de urânio. A reunião acontecerá poucos dias depois da visita a Berlim do diretor da AIEA, Mohamed El Baradei. Durante sua passagem pela capital alemã, ele propôs aos EUA um diálogo direto com o Irã, para reforçar a busca de uma solução pacífica. "Vamos favorecer o diálogo e acredito que em algum momento EUA e Irã se sentarão para conversar. Acho que um contato direto facilitaria a solução do caso", opinou. Além de Steinmeier, Rice e Lavrov, a reunião em Berlim terá a participação dos ministros da França, Philippe Douste-Blazy, e Reino Unido, Jack Straw; do vice-ministro chinês, Dai Bingguo; e do Alto Representante de Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana. Oposição Russa A Rússia não apoiará o uso de força para resolver o problema nuclear iraniano, disse nesta quarta-feira o ministro do exterior Sergey Lavrov. Ele participará da reunião desta quinta-feira com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e com diplomatas da França, Inglaterra, Alemanha e China para discutir os próximos passos para resolver a crise. "Como muitos de nossos colegas europeus e chineses declararam mais de uma vez, qualquer idéia envolvendo o uso de força ou pressão na resolução do caso não é nada produtivo e não pode ser suportado", acrescentou Lavrov. A Rússia enfatizou repetidamente que os esforços para resolver a preocupação internacional sobre o programa nuclear iraniano - cujo propósito, suspeitam os Estados Unidos e outros países, é produzir armas - deve ser conduzida mais pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) do que pelo Conselho de Segurança da ONU. "As dúvidas sobre o programa iraniano devem ser esclarecidas. É o que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenta fazer, e apoiamos a sua atividade", afirmou Laavrov.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 17h33

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.