Conselho de Segurança tenta solucionar impasse sobre Irã

Os membros do Conselho de Segurança da ONU procuraram resolver o impasse sobre o programa nuclear iraniano nesta quarta-feira, depois que o Reino Unido e a França falharam em convencer a Rússia e a China a endossarem as pressões para que Teerã encerre seu programa de enriquecimento de urânio. Mesmo assim, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou estar confiante de que o Conselho chegará a um acordo. "Nós conseguiremos um meio. Estou certa disso", disse Rice durante uma viagem às Bahamas. "Ainda temos trabalho a fazer. É o curso natural da diplomacia" Enquanto Rice falava, os cinco membros do Conselho com poder de veto - Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos - reuniam-se na missão americana da ONU. Os países não reportaram progressos na elaboração de um comunicado conjunto. Os Estados Unidos e seus aliados europeus querem que o conselho aprove uma declaração reiterando as exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que pede a suspensão do programa o enriquecimento de urânio iraniano. Teerã insiste que seu programa tem o objetivo de gerar eletricidade. O impasse reflete as falhas dos Estados Unidos e seus aliados na tentativa de conseguir o apoio da Rússia e da China durante uma reunião de diplomatas em Nova York, na segunda-feira. Um dos diplomatas do Conselho descreveu a reunião como um retrocesso nos esforços do Reino Unido, França e Estado Unidos para elaborar uma resposta rígida ao Irã. Rússia e China estão firmes em sua crença de que qualquer ação do Conselho deve ser suave. Diplomatas afirmam que os russos e os chineses não mudaram sua posição quanto ao endurecimento da linguagem do documento sobre a submissão do Irã às exigência da AIEA, que deverá ser publicado daqui a duas semanas. Moscou e Pequim afirmam que o tempo não é suficiente. A China sugeriu um prazo de 30 a 45 dias Os dois países querem ainda que a AIEA exerça o papel principal de persuasão do caso nuclear iraniano. Eles se dizem preocupados com a possibilidade de que a pressão sobre o Irã possa levar o país a desistir do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), assim como expulsar os inspetores da AIEA. Reunião A reunião de segunda-feira teve como objetivo discutir uma estratégia mais profunda e uma primeira resposta do Conselho. O Reino Unido, por exemplo, propôs oferecer à Teerã um pacote de incentivos, não especificados. A proposta é uma maneira de fazer com que a Rússia e a China concordem com a ameaça de endurecer as medidas do Conselho no futuro. A falta de movimentações significativas depois de dez dias pode levar as nações do Ocidente a desistir do comunicado presidencial, o que requer o consenso de todos os 15 membros. Um diplomata, que falou sob condição de anonimato, disse que a questão não foi levantada ainda. Isso colocaria a Rússia e a China em posição de aprovar, abster-se ou vetar uma ação contra o Irã. As negociações entre o Irã, França, Alemanha e Reino Unido, agindo em nome da União Européia, falharam em agosto depois que Teerã rejeitou o pacote de incentivos oferecidos em troca do fim de seu programa nuclear. Os movimentos subseqüentes no desenvolvimento das capacidades de enriquecimento de urânio levaram a AIEA a pedir intervenção do Conselho de Segurança.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 17h38

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