Sabri Elmhedwi/Efe
Sabri Elmhedwi/Efe

Conselho de Transição ameaça usar força para manter unidade da Líbia

Líder acredita que simpatizantes pró-Kadafi estão por trás da criação da região autônoma

Efe,

07 de março de 2012 | 12h34

ARGEL - O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Mustafa Abdel Jalil, advertiu os dirigentes políticos e tribais que na terça-feira, 6, anunciaram em Bengazi a criação de uma região semiautônoma que usará a força para evitar a separação do país.

"Como Conselho Nacional de Transição estamos preparados para o diálogo, sem marginar ninguém nem trair ninguém, mas a Líbia é e será uma unidade indivisível, mesmo que seja pela força", disse Abdel Jalil durante uma conferência sobre a reconciliação nacional realizada nesta quarta-feira, 7, na cidade de Misrata.

Em palavras reproduzidas pela agência de notícias líbia "WAL", o líder do país pediu à região oriental da Cirenaica (Barka, em árabe) que assuma sua responsabilidade.

Além disso, ele voltou a acusar personalidades que se uniram tarde ao levantamento popular de fevereiro de 2011 contra o regime de Muamar Kadafi, assim como simpatizantes pró-Kadafi de estar por trás deste anúncio.

Na terça-feira, cerca de 3 mil líderes tribais e políticos anunciaram em Benghazi, a principal cidade do leste da Líbia, a criação da "região federal unionista" de Barka, mas insistiram que o CNT é "o símbolo da unidade do país e seu representante legítimo nos círculos internacionais".

No entanto, este anúncio provocou uma reação de rejeição em cadeia entre a classe política, com Abdel Jalil na liderança.

O presidente do CNT já mostrou na terça-feira sua rejeição a esta proposta em discurso dirigido à nação.

"O CNT vê o que aconteceu em Bengazi como o início de uma conspiração sobre a qual os líbios devem estar atentos", disse Abdel Jalil em um discurso no qual também acusou países árabes, que não citou, da responsabilidade pelo ocorrido.

Após o triunfo do levantamento armado contra o regime de Kadafi, no dia 20 de outubro, e inclusive antes, começaram a se tornar latentes dois eixos de confronto entre as novas autoridades, um político-militar e outro regional.

Por um lado, começou uma disputa entre o novo poder central encarnado pelo fraco CNT e as milícias rebeldes e, por outro, um conflito entre as principais cidades e regiões do país, especialmente Trípoli, Misrata e Bengazi.

 

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