Conselho de Transição diz que 'a maior parte da Líbia está segura'

Representante do órgão afirma que morte ou prisão de Khadafi é questão de tempo; Governo interino promete eleições em 18 meses.

BBC Brasil, BBC

02 Setembro 2011 | 14h42

O Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) afirmou nesta sexta-feira que a maior parte do país já está segura e que a prisão ou a morte do coronel Muamar Khadafi é uma questão de tempo.

O representante do órgão na Grã-Bretanha, Guma Al-Gamaty, disse à BBC que há um caminho claro em direção à democracia no país e que eles não permitirão que Khadafi atrapalhe as mudanças.

No entanto, o correspondente da BBC Jon Leyne, que está em Benghazi, reduto da oposição ao governo de Khadafi, diz que há discordâncias a respeito do tipo de governo que a Líbia deve ter após a queda do regime.

Segundo Leyne, alguns querem que os partidários do coronel líbio tenham participação no processo político. Outros exigem um recomeço completamente independente do governo anterior.

Horas antes, o ministro interino da Reconstrução da Líbia, Ahmed Jehani, disse à agência de notícias Reuters que as empresas estrangeiras de petróleo deverão retornar o mais rápido possível ao país, já que os danos na infraestrutura petrolífera do país são limitados.

Jehani afirmou que o país precisará de técnicos e especialistas na produção de petróleo para conseguir recuperar sua economia.

Reconciliação

Os membros do conselho líbio garantiram a líderes mundiais que construirão uma sociedade permeada de tolerância e respeito às leis.

Durante a conferência Internacional de Apoio à Nova Líbia, realizada na última quinta-feira, em Paris, o chefe do CNT, Mustafa Abdel Jalil, prometeu uma nova constituição e eleições em 18 meses.

O presidente francês Nicolas Sarkozy, que presidiu a cúpula, enfatizou a necessidade de "reconciliação e perdão" durante o processo.

Ele também garantiu de que a ajuda militar da Otan irá continuar, até a captura de Khadafi.

"Enquanto Khadafi for uma ameaça, os ataques continuarão", afirmou Sarkozy, em entrevista coletiva após o encontro.

Os 63 países e organizações internacionais que participaram da conferência se comprometeram com uma série de medidas para ajudar na reconstrução do país, que incluem o desbloqueio de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 24 bilhões) em bens do regime do coronel Muamar Khadafi "o mais rápido possível".

Nesta sexta-feira, os representantes dos países e os líderes líbios continuaram as conversas a portas fechadas para determinar como o dinheiro liberado será gasto.

Segundo os organizadores, o foco deverá ser as necessidades básicas do país, como remédios, comida e água, assim como a segurança durante o período de transição antes das eleições democráticas.

Celebração

O coronel Muamar Khadafi permanece foragido, em local desconhecido.

"Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas", disse Khadafi, em um discurso de origem incerta, transmitido pela TV síria Arrai na última quinta-feira.

Ele falou durante o 42º aniversário de sua emergência como líder do país. A data era, até o ano passado, ocasião para celebrações no país.

Neste ano, houve celebrações com bandeiras na praça principal de Trípoli. As bandeiras, o entanto, tinham cores do CNT - preto, verde e vermelho - ao invés de serem verdes, como as do regime de Khadafi.

O local, que se chamava Praça Verde é conhecido agora como Praça dos Mártires, o nome que tinha antes do governo do coronel líbio.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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