Conselho Eleitoral do Haiti anuncia revisão dos resultados das eleições

Três candidatos mais votados e observadores internacionais farão parte da comissão revisora

Efe

09 de dezembro de 2010 | 15h30

PORTO PRÍNCIPE - O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti anunciou nesta quinta-feira, 9, que revisará em breve os resultados do primeiro turno das eleições realizadas no país em 28 de novembro, que foram denunciadas como fraudulentas por candidatos e observadores internacionais.

 

Em comunicado, o principal órgão eleitoral haitiano indicou que para isso deverá criar uma comissão conjunta formada pelos três candidatos à Presidência que obtiveram mais votos, observadores nacionais e internacionais e representantes da comunidade internacional.

 

Segundo os resultados divulgados, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, principal candidata da oposição, teve 31,37% dos votos, enquanto Jude Celestin, candidato do governo, teve 22,48%. O cantor Michel Martelly teve menos de um ponto porcentual de diferença em relação ao segundo colocado.

 

Centenas de partidários de Martelly protagonizaram distúrbios violentos em várias partes do Haiti desde a noite da terça-feira, o que causou a morte de duas pessoas e deixou várias feridas, segundo informaram as autoridades.

 

A conselheira do CEP Ginette Cherubin disse que não existe um período de tempo preestabelecido para realizar a revisão anunciada, "mas será feito no prazo mais breve possível". Segundo ela, o estabelecimento responsável por enviar as informações processadas - tal como estabelece o procedimento eleitoral - ficou fechado após enviá-las ao CEP.

 

Em seu comunicado, o CEP considerou a situação de violência em várias regiões do país e expressou sua vontade de "transparência" para assegurar a "autenticidade" dos resultados. O órgão pediu à polícia que garanta "a segurança das vidas e dos bens" e aos candidatos que contribuam à calma para pôr fim aos incidentes.

 

Por outro lado, o CEP estuda a possibilidade de postergar o prazo de três dias que a lei concede aos candidatos para apresentar recursos sobre os resultados eleitorais, já que vários deles solicitaram esta medida e, no momento, não há possibilidade de todos serem analisados devido aos distúrbios, disse à Efe uma fonte próxima ao organismo.

 

A revisão dos resultados foi reivindicada nesta quarta-feira pelos Estados Unidos por meio de sua embaixada e do porta-voz do Departamento de Estado americano, Phillip Crowley, que ressaltaram as diferenças entre os dados oferecidos pelo CEP e as estimativas do Centro Nacional de Observação, que constatava um segundo turno com Manigat e Martelly.

 

Essa diferença foi também destacada pela União Europeia que, por meio da representante para Assuntos Externos e Política de Segurança, Catherine Ashton, respaldou a eventual revisão das irregularidades denunciadas.

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