Youssef Boudlal/Reuters
Youssef Boudlal/Reuters

Conselho líbio promete revelar arsenal proibido de Kadafi

CNT 'mostrará provas’ de que ex-ditador tinha armas químicas ou nucleares; AIEA diz desconhecer caso

Reuters,

01 de novembro de 2011 | 00h26

TRÍPOLI - O Conselho Nacional de Transição (CNT), grupo que assumiu o governo interino da Líbia, anunciou ontem que revelará as armas clandestinas que o ditador Muamar Kadafi supostamente manteve escondidas no país. As forças que derrubaram Kadafi não especificaram o tipo de material militar secreto que o ditador tinha ou se envolveria um arsenal de armas químicas, um incipiente programa nuclear ou ambos.

Segundo o primeiro-ministro interino da Líbia, Mahmoud Jibril, substituído ontem, a questão será levada nos próximos dias à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Antes, o novo regime promete mostrar ao mundo as “provas” de que o ditador guardara o armamento clandestino – sem que as Nações Unidas ou as potências ocidentais desconfiassem.

Em 2003, Kadafi supostamente decidiu abrir o jogo sobre seu programa de armas clandestinas e convidou inspetores para supervisionar seus arsenais. Com a ajuda da ONU e dos EUA, um programa atômico teria sido desmantelado e armas químicas, destruídas.

Mohamed al-Saeh, funcionário do CNT, disse ontem em entrevista à rede de TV saudita Al-Arabiya que o governo interino achou componentes de um programa nuclear. Ontem, a AIEA disse que, até agora, não tem conhecimento de nenhum programa nuclear líbio. “Não temos nenhuma informação sobre esse assunto e toda a história parece um tanto confusa”, disse o porta-voz da organização, Gill Tudor.

Outra possibilidade é a de Kadafi ter mantido armas com componentes tóxicos, como as usadas nos anos 80 e 90 pelo ditador iraquiano Saddam Hussein. A Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq), braço da ONU que trata da proliferação desse tipo de armamento, não se manifestou sobre o assunto até a noite de ontem.

Dificuldades. Em entrevista ao Washington Post, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, adotou um tom inesperadamente franco ao comentar os desafios envolvendo a reconstrução da Líbia. Segundo Hillary, manter o país unido será “um imenso desafio”. “Os grupos que depuseram Kadafi têm de descobrir como conciliar várias tendências políticas e religiosas”, disse.

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