Conselho Militar dissolve Parlamento no Egito

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o governo do Egito após Hosni Mubarak deixar a presidência, na sexta-feira, anunciou hoje a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição. O conselho disse que está formando um comitê para fazer emendas à Constituição e apresentar as novas regras para que um referendo popular possa endossá-las.

AE, Agência Estado

13 de fevereiro de 2011 | 13h52

No comunicado divulgado hoje, o conselho afirmou que vai dirigir o país por seis meses ou até que eleições presidenciais e parlamentares possam ser realizadas. Os militares ainda estabeleceram como prioridade a restauração da segurança no país, que entrou em colapso durante os 18 dias de protestos contra o regime.

As medidas atendem a reivindicações dos manifestantes, que mantiveram pressão por mudanças em direção a um regime democrático e civil após Mubarak renunciar. Os manifestantes têm pedido que a transição ocorra por meio da nomeação de um conselho presidencial, da dissolução do parlamento e da libertação de detidos.

Tanto a Câmara Alta quanto a Câmara Baixa do Parlamento do Egito foram dissolvidas, segundo o comunicado divulgado hoje pelos militares. O gabinete de governo provisório, que foi nomeado por Mubarak logo depois que as manifestações contra o regime começaram, em 25 de janeiro, continuará atuando até que um novo gabinete seja formado, o que não deve acontecer antes das eleições.

O conselho militar reiterou que vai obedecer todos os tratados internacionais do Egito selados durante a era Mubarak, especialmente o tratado de paz com Israel. Essa foi a primeira reunião do governo provisório desde a renúncia de Mubarak. "Nossa preocupação agora no gabinete é a segurança, é levar a segurança de volta para o cidadão egípcio", afirmou o primeiro-ministro Ahmed Shafiq após a reunião.

Marcha

A polícia egípcia, detestada por sua brutalidade e pela corrupção durante décadas de leis emergenciais no país, fez neste domingo uma marcha da Praça Tahrir até o Ministério do Interior, ao qual a polícia é subordinada. Eles pediram melhores salários e condições de trabalho, mas também tentaram se absolver da responsabilidade pela agressividade no início dos protestos no Cairo, que deixou vários civis mortos.

Cerca de 2 mil policiais participaram da marcha e em alguns momentos entraram em confronto com soldados que tentaram dispersá-los. Alguns soldados dispararam tiros para o ar, mas depois desistiram de evitar a manifestação. Alguns tanques do Exército permaneceram do lado de fora do ministério para protegê-lo. O ministro do Interior, Mahmoud Wadgy, apareceu para os policiais e falou com eles por meio de um megafone. Wadgy disse que os policiais têm o direito de estar nervosos e pediu: "Me deem uma chance". As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.