Conselho pede que Liga Árabe retire observadores do país

Presidente do parlamento árabe diz que missão da Liga dá 'cobertura' para atos de repressão do governo sírio aos manifestantes.

BBC Brasil, BBC

01 de janeiro de 2012 | 21h42

O conselho consultivo da Liga Árabe pediu a retirada dos observadores da organização em missão na Síria, por causa da repressão do governo de Bashar Al-Assad aos protestos.

O presidente do parlamento árabe, Ali Al-Salem al Dekbas, disse que os monitores árabes devem deixar o país "considerando a continuação da morte de civis inocentes pelo regime sírio".

Não houve nenhuma diminuição na intensidade da violência desde que os observadores começaram seu trabalho, na última terça-feira.

A missão do grupo é monitorar a implantação de um plano de paz delineado pela Liga Árabe no país.

O presidente do parlamento disse em um comunicado que a continuação da repressão a manifestantes "na presença de monitores árabes despertou a ira do povo árabe e nega o propósito de enviar uma missão de investigação.

"Isso está dando ao regime sírio uma cobertura árabe para continuar com suas ações desumanas sob os olhos e ouvidos da Liga Árabe", disse Dekbas

O parlamento árabe é um comitê consultivo de 88 delegados dos estados-membros da organização. Suas recomendações não tem força de lei e ele opera separadamente da Liga.

'Nada amedrontador'

Correspondentes dizem que muitos manifestantes estão ficando frustrados com a incapacidade da Liga para pôr um fim à violência.

Cerca de 60 observadores estão no país para verificar a implantação do plano de ação da Liga Árabe, que propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos.

Apesar de alguns tanques terem recuado, atiradores foram vistos durante manifestações e passeatas.

Os Comitês de Coordenação Local, uma rede de grupos anti-governo dentro da Síria, dizem que pelo menos seis pessoas morreram em diversas partes do país no último domingo.

Mais de 150 pessoas foram mortas desde que os monitores chegaram ao país, de acordo com ativistas. A ONU diz que cerca de 5 mil pessoas morreram desde o início do levante popular, há dez meses.

Também houve críticas ao líder da missão da Liga Árabe, o general sudanês Mustafa Al-Dabi, que é tido por alguns como parcial ao governo sírio.

No último sábado, ele pareceu contradizer um de seus oficiais que teria dito que, durante uma visita à cidade de Deraa, no sul do país, ele e outros monitores viram atiradores do governo "com nossos próprios olhos".

Horas depois, o general Dabi disse há BBC que o observador não havia dito tal coisa e só estava falando hipoteticamente.

Na última quinta-feira, após uma visita cidade de Homs, ao norte do país, um dos focos da resistência ao controle do governo Dabi disse que "alguns locais estavam um pouco bagunçados, mas não havia nada amedrontador".

O general já ocupou uma série de postos de comando no Sudão, incluindo um na região problemática de Darfur.

O governo do presidente Bashar Al-Assad diz que está combatendo grupos armados e que 2 mil membros das forças de segurança morreram desde o início dos protestos.

Informações sobre o número de mortes são difíceis de serem verificadas porque a maior parte da mídia internacional é proibida de entrar livremente na Síria. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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