Conselho protesta contra status dado a Saddam

As autoridades do Conselho de Governo Iraquiano criticaram hoje a decisão do Pentágono de outorgar ao deposto ditador do Iraque, Saddam Hussein, o status de prisioneiro de guerra, que confere a ele benefícios estabelecidos pelas Convenções de Genebra e deve dificultar o trâmite para que ele seja submetido a julgamento por um tribunal iraquiano. O juiz Dara Nuredin, membro do conselho, disse hoje que a decisão causou "estranheza" e "desconcertou" a entidade de administração interina do Iraque. "Saddam deve ser processado e julgado no Iraque, por parte dos iraquianos, num tribunal iraquiano, por ter cometido crimes contra o povo iraquiano", declarou Nuredin à TV do Catar Al-Jazira. Pelas Convenções de Genebra, prisioneiros de guerra podem ser julgados apenas por crimes contra a humanidade por um tribunal internacional ou pela força ocupante - no caso, os americanos -, sempre sob a supervisão internacional. Ainda há controvérsia sobre se os EUA poderiam lançar mão de alguns artigos de exceção das convenções que permitiriam, sob condições específicas, que Saddam fosse julgado no Iraque. "Acho que foi uma má decisão e os americanos não tinham o direito de tomá-la, pois só os iraquianos podem decidir sobre essas questões", afirmou outro membro do conselho, Mahmoud Othman. "O povo iraquiano quer julgar Saddam de acordo com nossas leis. Os iraquianos querem saber quem o ajudou a cometer seus crimes." Nas ruas da capital iraquiana, alguns iraquianos especulam que os Estqdos Unidos tentam negar ao Iraque a chance de julgar Saddam para evitar que ele exponha os contatos secretos entre Washington e Bagdá nos últimos 20 anos. O administrador americano no Iraque, Paul Bremer, disse hoje que os governantes iraquianos poderiam reivindicar a jurisdição sobre Saddam depois de 1º de julho, quando os EUA planejam transferir a soberania para um governo provisório. Hoje, em Kirkuk, soldados americanos mataram a tiros, por engano, dois policiais iraquianos. Envolvidos numa disputa familiar, os dois homens foram confundidos com assaltantes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.