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Marco Ugarte/AP
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Consequências políticas de acidente com metrô prejudicam dois principais candidatos mexicanos

Raiva pública se voltou contra a prefeita da capital, Claudia Sheinbaum, e o ministro das Relações Exteriores do país, Marcelo Ebrard, vistos como possíveis sucessores do presidente Andrés Manuel López Obrador

Maria Abi-Habib e Oscar Lopez, The New York Times, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2021 | 20h00

CIDADE DO MÉXICO - Sua rivalidade há muito tem sido objeto de especulação de especialistas e, na terça-feira, 4, duas das estrelas políticas mais brilhantes do México estavam sob os holofotes, mas por motivos ruins.

Após o acidente fatal no metrô da Cidade do México, na terça-feira, a raiva pública se voltou contra a prefeita da cidade, Claudia Sheinbaum, e um ex-prefeito que agora é ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard.

Ambos são vistos como possíveis sucessores do presidente Andrés Manuel López Obrador.

“Absolutamente nada será escondido”, disse López Obrador em entrevista coletiva na manhã de terça-feira. “O povo do México precisa saber toda a verdade”.

Mas, mesmo enquanto o presidente falava, as consequências políticas ficaram evidentes na entrevista coletiva. Tanto Sheinbaum quanto Ebrard enfrentaram duros questionamentos de repórteres: ela pela possível incompetência em detectar as falhas que ocasionaram o acidente fatal, ele por supervisionar a construção de uma linha de metrô envolta em acusações de má gestão e corrupção.

Pelo menos publicamente, os dois pesos-pesados políticos apresentaram uma frente unida.

“Estamos de acordo para chegarmos ao fundo disso e trabalharmos juntos para descobrir a verdade e saber o que causou este incidente”, disse Sheinbaum, que evitou culpar qualquer figura do governo pelo acidente.

Quando questionado se temia ser tido como responsável pelo acidente trágico, Ebrard negou qualquer irregularidade e disse que cooperaria com a investigação.

“Se você não tem nada a esconder, não tem nada a temer”, disse ele. “Como qualquer outra pessoa, estou sujeito a tudo o que as autoridades determinam, ainda mais como funcionário de alto escalão, como alguém que promoveu a construção da linha”.

Ebrard foi prefeito da Cidade do México de 2006 a 2012, e a linha do metrô, conhecida como Linha Dourada, foi um dos projetos mais marcantes de sua gestão.

Em outra entrevista coletiva na tarde de terça-feira, Sheinbaum disse que “para garantir transparência e objetividade”, uma empresa norueguesa que não está envolvida na operação do sistema conduzirá uma análise detalhada de engenharia sobre o colapso.

O acidente ocorreu um mês antes das eleições legislativas que o partido do governo, conhecido como Morena, deverá dominar. López Obrador - também ex-prefeito da capital - tem um alto índice de aprovação em todo o país, mas é menos popular na Cidade do México.

Sheinbaum e Ebrard são ambos membros do Morena e estão competindo para suceder ao López Obrador como presidente quando seu mandato terminar, em 2024.

López Obrador, que fez campanha prometendo melhorar a infraestrutura do México, liderou projetos ambiciosos de transporte público desde que assumiu o cargo em 2018, incluindo quase 1.600 quilômetros de ferrovias que se estendem pelo México. Ele procurou criar um legado por meio de vários projetos de referência e, logo após assumir o cargo, interrompeu a construção de um aeroporto que um partido rival havia começado a construir na Cidade do México.

Embora a construção estivesse avançada e o governo tivesse gasto bilhões de dólares no aeroporto, López Obrador o desmontou para construir um outro aeroporto, em um local diferente, reelaborando todo o projeto sob seu nome.

No entanto, os projetos chamativos do presidente vieram às custas de necessidades mais urgentes, como problemas na infraestrutura de água em um país cada vez mais sobrecarregado por secas e no sistema de metrô da Cidade do México, um meio de transporte fundamental para a vasta população da capital de quase 22 milhões de habitantes. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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