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Conservador aliado de Hu deve assumir propaganda na China

Ele dificilmente irá atenuar os rígidos controles sobre a mídia no país

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24 de outubro de 2012 | 09h57

PEQUIM - Um aliado conservador do presidente Hu Jintao é o favorito para se tornar ministro da Propaganda na China, e dificilmente irá atenuar os rígidos controles sobre a mídia no país, segundo duas fontes.

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Liu Qibao deve ser nomeado para o cargo durante o 18o Congresso do Partido Comunista, que começa em 8 de novembro. No mesmo evento, Xi Jinping deve ser aclamado como o líder da quinta geração do regime comunista, sucedendo a Mao Tse-tung, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao. Outros cargos de alto escalão também serão definidos no congresso partidário.

"Liu Qibao deve assumir como ministro da Propaganda, a não ser que haja uma mudança de última hora", disse uma fonte à Reuters, solicitando anonimato. Outra fonte confirmou que Liu é o favorito ao cargo.

O posto é vital para instilar confiança no partido e nas suas políticas, e para garantir o monopólio sobre os fluxos de informação, algo que está se tornando cada vez mais difícil na China moderna e conectada de hoje em dia, em que sites e novas publicações tentam furar os bloqueios e revelar casos de corrupção e abuso de poder.

Liu, de 59 anos, dirige desde 2007 o Partido Comunista na populosa província de Sichuan (sudoeste). Ele foi elogiado pela reconstrução de áreas destruídas pelo terremoto de 2008 na região, que matou pelo menos 87 mil pessoas.

O dirigente lida habilmente com os meios de comunicação e costuma tratar dos problemas da população respondendo a perguntas pela internet. Ele também usa o popular serviço Sina Weibo (espécie de Twitter chinês) para mandar mensagens, algo raro em se tratando de autoridades chinesas.

"Falar a verdade - essas são as melhores palavras que você pode usar", disse Liu numa conferência no ano passado, segundo relato da imprensa oficial. "Se você quiser que as pessoas lhe digam a verdade, então as autoridades precisam ter coragem suficiente para ouvir a verdade, e elas devem criar as condições corretas para isso."

Mas ele adotou uma abordagem radical para lidar com a onda de protestos e autoimolações em regiões da sua província habitadas por tibetanos, e prendeu alguns dissidentes dessa etnia.

Também reprimiu com firmeza outros dissidentes de Sichuan, inclusive Tan Zuoren, que cumpre pena de cinco anos de prisão pelo crime de subversão, por ter documentado falhas em construções que contribuíram para as mortes no terremoto de 2008, e Chen Wei, ativista de direitos humanos condenado a nove anos por escrever artigos críticos ao governo.

 

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