Conservador desiste de disputa com Bachelet a 4 meses de eleição no Chile

O candidato governista à presidência do Chile, Pablo Longueira, renunciou ontem à disputa eleitoral marcada para novembro alegando problemas de saúde. A decisão do ultraconservador - informada anteriormente ao presidente Sebastián Piñera e à cúpula do partido de Longueira, a União Democrática Independente (UDI) -, surpreendeu analistas e representa uma reviravolta na eleição chilena, que ocorrerá em quatro meses.

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 03h01

Segundo a pesquisa eleitoral mais recente - encomendada pelo jornal La Segunda à Universidade do Desenvolvimento -, realizada após as primárias que o escolheram candidato, Longueira tinha 25% das intenções de voto. Ele aparecia em segundo lugar, atrás da ex-presidente e favorita, Michelle Bachelet, que tinha a preferência de 39% dos eleitores.

A desistência de Longueira foi anunciada por seu filho Juan Pablo. "Nosso pai está doente. Após o triunfo na eleição primária da Aliança (sua coalizão de centro-direita), durante uns dias de descanso, sua saúde foi se deteriorando em razão de um quadro de depressão medicamente diagnosticado."

"A principal dificuldade que Pablo Longueira tinha era ser capaz de mostrar uma maior sensibilidade da direita liberal às demandas por direitos sociais, fundamentalmente dos estudantes. Se não conseguisse isso, não teria nenhuma capacidade de penetrar nas camadas médias chilenas, que são as que estão por trás do movimento estudantil e reivindicam o direito à educação superior", disse ao Estado o cientista político Sergio Micco, da Universidade do Chile.

Ex-deputado da Concertação - coalizão de centro-esquerda que governou o Chile desde a saída do ditador Augusto Pinochet, em 1990, até 2010 - e ex-presidente do Partido Democrata Cristão, Micco explicou que Longueira tinha como lema "um país mais justo". Segundo o analista político, o ultraconservador, que foi ligado a Pinochet e ocupou o cargo de ministro da Economia no governo Piñera por mais de dois anos, utilizou seu posto "para demonstrar uma direita mais aberta às demandas da classe média".

"Longueira era um adversário ruim (diante de Bachelet). Tinha muito rechaço do eleitorado por ser vinculado a Pinochet. Está muito mais à direita que Piñera. Não tinha possibilidade de ser eleito", afirmou o sociólogo Eugenio Tironi, consultor político e articulista do jornal chileno El Mercurio. "Ele não tinha possibilidade de conseguir o que a direita já conseguiu, em termos de eleitores."

Analistas políticos concordam que os recentes protestos estudantis, por educação gratuita e de qualidade, pautarão os temas de discussão na campanha presidencial. Bachelet, afirmou Micco, deverá "mostrar que agora será capaz de adotar as demandas mais profundas de reestruturação do sistema educacional chileno".

Tironi ressaltou a necessidade de sua coalizão, a Nova Maioria, conquistar votos que garantam dois terços do Parlamento, para que Bachelet consiga fazer a reforma tributária necessária para financiar a educação gratuita no país, além da reforma constitucional que promete. A Câmara dos Deputados e metade do Senado do Chile serão renovados nas próximas eleições.

A governista Aliança - que reúne a UDI e o partido Renovação Nacional, cujo candidato nas prévias, Andrés Allamand, foi derrotado por pequena margem por Longueira - poderá nomear um novo candidato. A UDI anunciou para hoje uma reunião extraordinária para definir um substituto para a candidatura do ex-ministro. / AFP, COM GUILHERME RUSSO

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