MIGUEL RIOPA|AFP
MIGUEL RIOPA|AFP

Conservador é favorito em eleição portuguesa

País vai hoje às urnas para escolher sucessor do presidente Aníbal Cavaco Silva; apesar do desânimo do eleitorado, partidos tradicionais ainda dominam

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2016 | 03h00

Portugal vai às urnas hoje para escolher o sucessor do presidente Aníbal Cavaco Silva, impedido de tentar um terceiro mandato. A campanha eleitoral teve dez candidatos, mas um deles é visto como favorito desde o início: trata-se do jurista Marcelo Rebelo de Sousa, acadêmico e ex-presidente do Partido Social Democrata (PSD).

Se o conservador for eleito, a vida política do país entrará em um novo período de “coabitação” entre direita e esquerda, já que a chefia do governo cabe ao socialista António Costa e a uma coalizão progressista.

As pesquisas de opinião divulgadas até a quinta-feira não deixam dúvidas sobre a vantagem de Sousa frente a seus adversários. De acordo com o instituto Intercampus, o jurista teria 51,8% dos votos – o que em tese dispensaria a realização do segundo turno.

O prognóstico, no entanto, fica dentro da margem de erro e pode obrigar o candidato a disputar uma nova rodada em 14 de fevereiro. Nesse caso, o cenário mais provável é o de que o progressista António Sampaio da Nóvoa, candidato independente que tem o apoio do Partido Socialista (PS), seja o desafiante, já que tem 16,9% das intenções de voto.

Professor de direito, Sousa é comentarista político em canais de TV e, por isso, célebre em Portugal. Considerado um dos líderes mais moderados do PSD, ele reiterou durante a campanha sua disposição de agir nos “estritos limites da Constituição”. Contra o favorito, Nóvoa ainda buscava resistir nos últimos dias da campanha. “A verdade é que tentaram fazer dessa eleição uma meia maratona, pronta para acabar no primeiro turno. Mas nós estamos cheios de energia para levar essa corrida até o fim”, afirmou.

Ainda que Nóvoa consiga de fato levar as eleições para o segundo turno, poucos acreditam em uma reversão do quadro eleitoral. Cientistas políticos consultados pelo Estado em Lisboa acreditam que a vitória de Sousa é questão de tempo. As pesquisas para o segundo turno indicam a vitória do conservador, que reuniria 68,4% dos votos, contra 33% para o socialista. “Mas há uma condicionante significativa: votar em Portugal é um produto combinado da simpatia partidária com a motivação”, lembra António Salvador, diretor geral do Intercampus, para quem o resultado ainda é imprevisível: “Os índices de abstenção são significativos”.

Desilusão. A preocupação com o nível de abstenção na eleição de domingo é compartilhada por acadêmicos. Após cinco anos de políticas de austeridade fiscal, a desilusão do eleitorado com a classe política em Portugal é grande, assim como em grande parte da Europa. Mas, ao contrário de países como a Grécia ou a Espanha, que também tiveram de ser socorridos para evitar a falência, o eleitorado português ainda parece dar um voto de confiança aos partidos tradicionais.

Em caso de vitória de Sousa, o PSD terá a chefia do Estado, enquanto o PS terá a chefia do governo. “Na nossa história política, temos situações de coabitação pacífica, sem grandes atritos, e outras de grande conflito”, lembra o cientista político Pedro Miguel Moreira da Fonseca, da Universidade Técnica de Lisboa.

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