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Conservadores aceitam participar do governo grego

Partido Nova Democracia fará parte de coalizão, manifestou líder da formação, Antonis Samaras

11 Maio 2012 | 07h48

ATENAS - O partido conservador Nova Democracia (ND), vencedor das eleições da Grécia no último domingo, aceitou, sob condições, participar de um Governo de coalizão, manifestou nesta sexta-feira em Atenas o líder da formação, Antonis Samaras.

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Após uma reunião com o líder socialista Evangelos Venizelos, terceiro colocado nas eleições, o chefe da ND indicou que um Executivo de unidade deve ter a participação do partido de esquerda Syriza, segundo no pleito e contrário ao plano de austeridade imposto pela União Europeia (UE).

"Só é possível um governo de salvação nacional com amplo apoio parlamentar", disse o líder conservador, insistindo que é condição "sine qua non" que a Coalizão de Esquerda Radical (Syriza) apoie o Executivo de unidade.

Samaras assegurou que a proposta que o líder da formação centro-esquerdista Dimar, Fotis Kouvelis, fez ontem à noite ao Pasok de formar um governo de unidade integrado por personagens políticos "dignos de confiança" e apoiado por ND, Pasok, Dimar e Syriza, está "próximo" da sua própria proposta.

Kuvelis disse nesta manhã, durante uma entrevista ao canal "Skaï", que não entrará em um governo que não conte também com a Syriza, algo bastante improvável já que este partido mantém uma postura de radical oposição ao memorando de medidas de austeridade que ND e Pasok assinaram.

"Agora é necessário que salvemos o país não do populismo do Pasok, mas do da Syriza, que é ainda mais perigoso", criticou Samaras, que definiu o líder esquerdista, o jovem Alexis Tsipras, como "o último bastião do populismo e do parasitismo".

"A Syriza foi a segunda força política do país. Mas, desde o segundo dia, admitiu que não tem programa para governar. Provocou incerteza no país e fortaleceu nossos inimigos fora do país", atacou Samaras.

"As dificuldades na formação de governo existem apenas porque a Nova Democracia é o único partido que tem programa", acrescentou.

Também acusou os "sócios europeus" de ter "fortalecido os partidos extremistas" com as políticas de austeridade que impuseram à Grécia. Em todo caso, seu partido defende que a Grécia se mantenha no euro e na UE.

Para o chefe da ND, seria um "suicídio" que a Grécia se isolasse da Europa em um momento em que "as coisas começam a mudar", em uma velada referência à opção do novo presidente francês, o socialista François Holland, de apostar no crescimento frente à austeridade.

"É necessário libertar o país da hegemonia ideológica das esquerdas e impor nossa ideias liberais, europeias e patrióticas, e, com a ajuda de Deus, conseguiremos", concluiu o líder conservador.

No Parlamento saído das eleições de domingo a Nova Democracia possui 108 cadeiras; a Syriza, 52; o social-democrata Pasok, 41; o nacionalista Gregos Independentes, 33; o Partido Comunista, 26; os neonazistas da Aurora Dourada, 21, e os centro-esquerdistas da Dimar, 19. 

 

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