REUTERS/Marcelo del Pozo
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Conservadores ficam mais perto de continuar no governo na Espanha

Vitória indiscutível do Partido Popular, de Mariano Rajoy, melhorando a quantidade de votos e o número de cadeiras em comparação com a votação de 2015, dá ao partido mais chance de formar novo governo

José Manuel Sanz / EFE, O Estado de S. Paulo

27 Junho 2016 | 09h45

MADRI - Contra todas as pesquisas, o conservador Partido Popular (PP) obteve no domingo, 26, uma vitória indiscutível na Espanha, melhorando em votos recebidos e número de cadeiras no Congresso os resultados da votação de seis meses atrás, o que o deixa mais perto de se manter no poder.

As eleições realizadas domingo foram uma "repetição" da realizada em dezembro do ano passado, que terminou com a composição de um parlamento muito fragmentado e incapaz de pactos para a posse de um primeiro-ministro.

A estratégia do PP nestes meses, com base no apelo ao voto útil e focada no partido liberal emergente Ciudadanos e à moderação contra a esquerda radical, foi bem-sucedida em um momento de recuperação econômica incipiente na Espanha e de grandes incertezas na Europa em razão da saída do Reino Unido da União Europeia.

O premiê, Mariano Rajoy, que se mantém interino desde 20 de dezembro, saboreou uma vitória ampla que certamente não esperava, embora o resultado ainda o obrigue a buscar pactos. "Ganhamos as eleições, reivindicamos o direito de governar", declarou Rajoy em discurso para milhares de simpatizantes que comemoraram a vitória em frente à sede do PP em Madri. "Falaremos com todo mundo para defender 100% dos espanhóis", acrescentou.

Rajoy defendeu sempre a via de uma "grande coalizão" na Espanha, com o socialista e histórico rival PSOE, para destravar o atual bloqueio à formação do governo, mas a liderança deste último partido se negou contundentemente, por medo de perda de seu eleitorado.

Os mais prejudicados da noite foram os que parecem ser os mais próximos do PP, o liberal Ciudadanos (C's), que perderam 8 das 40 cadeiras que haviam obtido em dezembro. As duas legendas de centro-direita, PP e C's, somam 169 cadeiras, 7 a menos do que o necessário para a formação do governo.

O jovem presidente do Ciudadanos, Albert Rivera, que apoiou em março a posse fracassada do líder do PSOE, Pedro Sánchez, cobrou que os dois históricos partidos (PP e PSOE) se sentem imediatamente à mesa para negociar o próximo governo, com a única condição de que não ponham na frente dos interesses do país "nenhuma poltrona".

Uma das grandes profecias das pesquisas, a de que a coalizão esquerdista formada por Podemos e Esquerda Unida (IU) superaria o PSOE, não se cumpriu, o que representa um fracasso especialmente para o líder do Podemos e promotor da "confluência", Pablo Iglesias.

O PSOE, que governou a Espanha por 21 anos desde a volta da democracia, em 1977, continua sendo a força dominante da esquerda, embora tenha novamente perdido em votos e cadeiras, registrando um novo recorde negativo.

Iglesias admitiu que os resultados de domingo "não são satisfatórios" nem cumprem suas expectativas, mas não quis classificá-los como um fracasso.

Escoltado por boa parte da executiva de sua legenda e acompanhado também por Alberto Garzón, líder do IU, Iglesias mostrou "preocupação" pelo aumento do apoio ao "bloco conservador" e considerou que seria "sensato" que as forças progressistas comecem a dialogar a partir dos espaços que lhes unem.

Mas esta vez não quis aventurar se será possível formar um governo de maioria de esquerda.

Por sua vez, Sánchez, cuja liderança do PSOE voltará a ser questionada depois do recorde negativo, culpou Iglesias de ter permitido ao PP aumentar seu número de cadeiras.

"Espero que Iglesias reflita sobre estes resultados. Teve a possibilidade de votar em um governo progressista e pôr fim ao governo de Rajoy, mas a intransigência e o interesse pessoal acima do interesse geral permitiram uma melhora dos resultados do PP", disse Sánchez em discurso. / EFE

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