EFE/Horacio Villalobos
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Conservadores franceses pedem desistência de Fillon

Cresce pressão contra candidato, que chegou a ser favorito para eleição antes de um escândalo envolvendo nepotismo

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 19h50

Deputados do partido Republicanos publicaram nesta terça-feira, 14, em Paris, um manifesto exigindo que François Fillon desista de ser o candidato à presidência da França pela legenda. O movimento reúne parlamentares alinhados com o ex-presidente Nicolas Sarkozy e argumenta que o balanço das últimas semanas de campanha indica que o eleitorado de direita está abandonando o ex-favorito para chegar ao Palácio do Eliseu nas eleições em abril e maio. 

A pressão sobre Fillon teve início há 20 dias, quando o jornal Le Canard Enchainé revelou que o líder republicano havia empregado a própria mulher e dois de seus filhos em postos de assessores parlamentares, supostamente sem que jamais tivessem trabalhado nas funções. Sua situação se complicou quando a rede pública France Télévisions publicou uma entrevista datada de 2007, na qual sua mulher, Penelope Fillon, afirma jamais ter trabalhado como assessora do marido.

Desde então, a campanha de Fillon está congelada. Dizendo-se vítima de um complô “judiciário e midiático”, o candidato republicano tenta se manter no posto, mas caiu nas pesquisas de opinião, deixando o primeiro lugar, com até 27% das intenções de voto, e caindo para terceiro, com 18%, segundo pesquisa do instituto IFOP de hoje.

O aumento da rejeição levou 17 deputados, senadores, deputados europeus e ex-ministros afinados com Sarkozy a se reunirem em Paris na segunda-feira para pedir a saída do candidato. “Estamos diante de uma situação desastrosa para nossa família política”, advertiu o deputado George Fenech. Ele propôs a convocação de um conselho político do partido para deliberar sobre um substituto para o candidato, que venceu as primárias da legenda em novembro, contra o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, além de Sarkozy, que ficou em terceiro lugar.

Hoje, um comício de Fillon foi cancelado na cidade Limoge, enquanto o de Clermont-Ferrand foi adiado por tempo indeterminado por decisão dos prefeitos dos dois municípios, ambos Republicanos. Fillon respondeu à contestação dizendo-se mais uma vez perseguido pela imprensa e garantindo que não abandonará a corrida ao Palácio do Eliseu. Ao longo do dia, o candidato organizou sua reação. Em um encontro com a bancada do partido na Assembleia Nacional, o ex-premiê disse não haver plano B. “Estou sendo assediado pela imprensa nacional, além do assédio judiciário. Não quero enfrentar também um assédio parlamentar”, afirmou na reunião a portas fechadas, segundo deputados que dela participaram. 

De acordo com as últimas pesquisas de opinião, Marine Le Pen, candidata de extrema direita da Frente Nacional, lidera a corrida no primeiro turno, com 26% das intenções de voto. O candidato do movimento En Marche!, de centro, Emmanuel Macron, aparece em segundo, com ligeira vantagem sobre Fillon: 19,5%. Em caso de segundo turno, o ex-ministro da Economia do governo de François Hollande sairia vencedor, com mais de 60% dos votos, segundo o IFOP.

 

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