Conservadores têm a missão de ganhar o voto dos indecisos

Análise: Jim Rutenberg / NYT

O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2012 | 03h05

Durante três noites de vídeos diáfanos, testemunhos sentimentais e, por fim, seu próprio discurso, Mitt Romney deu duro para mostrar que tem coração. Mas ele ainda precisa lidar com a tarefa de convencer os americanos que acreditaram em Barack Obama de que é hora de reconhecer que o presidente falhou. Não será fácil. Os republicanos estão começando uma delicada campanha de dez semanas voltada para aqueles que estão decepcionados com Obama, mas ainda não o abandonaram.

Ambas as campanhas concordam que, apesar da crise, muitos indecisos têm apego pessoal por Obama e estão dispostos a dar-lhe mais tempo. Os candidatos que desafiam o mandatário, geralmente, enfrentam a tarefa de persuadir os eleitores a demitir o presidente. Romney tem missão mais difícil: persuadi-los a romper com Obama. "Será difícil quebrar o vínculo que uma porção de eleitores sente por Obama, apesar de estarem desapontados", disse Mark McKinnon, ex-estrategista de George W. Bush. "Pode ter sido um casamento ruim, mas eles ainda querem salvá-lo."

Levar esses eleitores a essa conclusão requer delicadeza. Os ataques que os apresentadores de talk-shows conservadores usam podem levá-los a defender Obama. Os estrategistas dizem que é preciso oferecer-lhes o caminho da ruptura. Eles precisam que lhes digam que não há nada de errado em ter apoiado Obama, mas que podem ficar em paz com a mudança de lado agora.

Na parte mais contundente de seu discurso na convenção, Romney disse aos eleitores de Obama que eles haviam dado tempo demais ao presidente. "Os americanos têm sido pacientes, apoiaram esse presidente de boa fé", disse. "Mas chegou a hora de virar a página." Para alguns analistas, o tom de Romney - mais de lamento do que de ódio - pareceu eficaz. "Há sinais de que ele está fazendo progresso", disse McKinnon.

Isso não significa que Romney dará folga a Obama. Na quinta-feira, ele atacou o presidente por trazer "decepção e divisão". Mas é seu vice, Paul Ryan, que parece ter mais margem de manobra. Como o primeiro candidato a vice de sua geração, ele representa a mudança. Os assessores de Romney promoveram essa ideia para tentar fazer Obama parecer parte da velha ordem.

Isso nos leva à outra parte da equação: pesquisas mostram Romney atrás de Obama no quesito "simpatia". "Os indecisos veem Romney como rico e desligado", disse Margaret Spellings, ex-secretária de Educação de Bush. Agora, segundo ela, esses eleitores estavam olhando para "o lado humano" do republicano. Nas próximas dez semanas, eles decidirão se a imagem de Obama continuará sendo um pôster desbotado na parede ou se tornará uma relíquia digna de mais quatro anos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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