Conservadores tentam formar governo de coalizão na Grécia

Líder do Nova Democracia, primeiro colocado na apuração dos votos, pede 'governo de salvação nacional'.

BBC Brasil, BBC

17 de junho de 2012 | 21h27

O líder do partido de centro-direita Nova Democracia, Antonis Samaras, afirmou que quer formar um governo de coalizão no país o mais rápido possível.

O Nova Democracia deve conseguir uma vitória por pouca diferença de votos em relação ao esquerdista Syriza nas eleições realizadas neste domingo na Grécia.

Com 80% dos votos apurados, as estimativas do Ministério do Interior afirmam que o Nova Democracia conseguiu 29,9% dos votos (ou 130 cadeiras no Parlamento), o Syriza obteve 26,7% dos votos (71 cadeiras), e o socialista Pasok, 12,4% (33 cadeiras).

Samaras, pediu que todos os partidos se juntem a um governo de salvação nacional e acrescentou que a Grécia vai cumprir seus compromissos.

"O povo grego escolheu hoje pela permanência no caminho europeu e na zona do euro. Não haverá mais aventuras. O lugar da Grécia na Europa não será colocado em dúvida", disse Samaras.

"Os sacrifícios do povo grego vão levar o país de volta à prosperidade."

O líder do Syriza, Alexis Tsipras, cumprimentou Samaras pela vitória e acrescentou que ele tem o direito de tentar formar um governo.

Mas, Tsipras parece ter descartado a possibilidade de se juntar à coalizão, afirmando que o Syriza "não vai sacrificar nossa posição" de oposição ao plano de austeridade.

Segundo o correspondente da BBC em Atenas Mark Lowen, estas declarações de Samaras sugerem que ele quer continuar com o programa de cortes de gastos exigidos pelos credores internacionais da Grécia.

A eleição parlamentar deste domingo na Grécia era vista por muitos analistas como um referendo sobre a permanência do país na zona do euro. Este foi um dos assuntos que dominaram a campanha política no último mês.

O outro assunto, que está interligado com a permanência da Grécia na zona do euro, foram os pacotes de ajuda financeira recebidos pelo país nos últimos dois anos.

A Grécia recebeu ajuda internacional de 110 bilhões de euros, em 2010, e 130 bilhões de euros, no ano passado. O dinheiro foi usado para que o país conseguisse pagar suas dívidas, mas grande parte da população está descontente com as condições do acordo, que exige medidas duras de redução de gastos públicos.

A Nova Democracia apoia os pacotes de ajuda financeira, assim como Pasok, mas defende a renegociação de alguns termos. Já o Syriza é fortemente contra as medidas de austeridade.

Coalizão

Se as projeções estiverem corretas, o Nova Democracia deve conseguir formar uma coalizão com o partido socialista Pasok e se beneficiar de uma regra que dá ao partido que lidera a votação mais 50 assentos no Parlamento, que tem um total de 300.

Outro correspondente da BBC em Atenas, Matthew Price, afirma que este governo ainda será relativamente fraco e deve tentar negociar os termos do pacote de ajuda financeira.

O Nova Democracia também poderá convidar um pequeno partido de esquerda, o Esquerda Democrática, para se juntar à coalizão e refletir um pouco da desaprovação dos gregos em relação a esta ajuda financeira, segundo Mark Lowen.

No entanto, de acordo com o correspondente da BBC, o Syriza conseguiu muitos votos e deve conseguir muitas cadeiras no Parlamento, o que deve dificultar a situação da futura coalizão de governo.

O líder do partido Pasok, Evangelo Venizelos, fez a proposta de uma coalizão mais ampla, de quatro partidos, incluindo o Nova Democracia, o Pasok, a Esquerda Democrática e o Syriza.

"Nenhuma decisão pode ser tomada sem esta união nacional", disse.

Prazos e renegociações

O ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, disse neste domingo que a Grécia deve manter seus acordos com os credores internacionais, mas sugeriu que o governo grego tenha mais tempo para cumprir estes acordos.

"Não pode haver mudanças substanciais nos acordos, mas eu consigo imaginar voltar a negociar os prazos", disse.

Já para Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o novo governo grego deveria ter uma chance de renegociar pelo menos parte do acordo de resgate.

"Se esta é a condição para que a Grécia fique [na zona do euro] e siga em diante, eu diria que é provavelmente algo que deveria ser tentado", afirmou Gurria.

Os gregos haviam eleito seus representantes no mês passado, mas nenhum partido conseguiu formar um coalizão para governar e por isso a nova eleição foi convocada para este domingo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.