Conservadores terão de atuar com Obama

ANÁLISE: Eugene Robinson / W. POST

O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2015 | 02h04

Com maioria conservadora, o novo Congresso deveria iniciar suas atividades concentrando-se em temas defendidos tradicionalmente pelo Partido Republicano: melhorar a infraestrutura do país, reformar o código fiscal e aumentar as oportunidades para a classe média. Impossível? O ceticismo é adequado. No entanto, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, e o presidente da Câmara, John Boehner, têm uma opção. Reconhecer a existência de áreas de interesse comum com o presidente Barack Obama - mostrando que o Partido Republicano pode participar responsavelmente do governo - ou continuar com seus acessos de cólera.

McConnell disse que um dos seus objetivos ao assumir o Senado é evitar fazer qualquer coisa que torne difícil para o partido eleger um presidente em 2016. McConnell está certo quando diz que a imagem de "Partido do Não", que ele ajudou a criar, provavelmente não renderá benefícios políticos.

Talvez seja inevitável que o partido utilize o controle do Congresso para dar destaque a assuntos de sua predileção. De vez em quando, os republicanos poderão até reunir os necessários 60 votos no Senado e forçar Obama a usar seu poder de veto. Mas e então? Aprovar uma série de projetos de lei que não têm nenhuma chance de se transformar em lei não é a melhor mostra de eficiência. O crescimento econômico está em ritmo acelerado, a inflação basicamente não existe, as ações registraram um ano excelente, o desemprego está em queda e a economia americana causa inveja. O fato de tudo isso ter ocorrido sob a liderança de um presidente democrata pode ser um inconveniente para líderes republicanos, mas é a realidade. Queixar-se de que Obama está "acabando com os empregos" soa ridículo. Essa maioria deveria reconhecer que as condições econômicas oferecem a oportunidade de solucionar problemas estruturais.

A infraestrutura é o ponto mais óbvio por onde começar. Aeroportos estão envelhecendo. Portos não fazem frente à nova geração de navios de carga. Milhares de pontes precisam ser reformadas ou substituídas. Sistemas municipais de distribuição de água que datam de um século estão se desintegrando. A rede elétrica precisa ser mais robusta e mais segura. E, apesar de os americanos terem inventado a internet, cidadãos de outros países desfrutam de redes com velocidades mais rápidas e custos menores.

Os republicanos costumavam concordar com os democratas que bons tempos econômicos oferecem a oportunidade de investir em infraestrutura - o que criaria mais postos de trabalho, agora e no futuro. Os déficits vêm diminuindo rapidamente e os juros alcançaram baixas recorde.

Outro assunto sobre o qual Obama e os republicanos concordam é a necessidade de uma reforma tributária. Obama admitiu e os republicanos há muito tempo afirmam que a alíquota de imposto para as empresas de quase 40% é muito alta e as estratégias usadas pelas companhias para deixar de pagar, como transferir sua sede para o exterior, vão contra o interesse nacional.

Finalmente, um partido "responsável" preparado para governar teria algumas ideias sobre como estimular a mobilidade econômica, que é o que realmente significa quando falamos em "oportunidades". Se os republicanos acham que o sonho americano significa que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, então eles não estão, nem mesmo remotamente, preparados para ocupar o cargo máximo do país. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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