REUTERS/Costas Baltas
REUTERS/Costas Baltas

Conservadores vencem eleições na Grécia

Premiê de esquerda Alexis Tsipras admite derrota e felicita Kyriakos Mitsotakis, do Partido Nova Democracia

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2019 | 16h59

ATENAS - Os conservadores liderados por Kyriakos Mitsotakis venceram neste domingo as eleições legislativas na Grécia, derrotando o primeiro-ministro de esquerda, Alexis Tsipras, acusado de trair seu eleitorado com o programa de austeridade após a crise econômica.

Tsipras reconheceu sua derrota para Mitsotakis, a quem chamou para felicitá-lo, informou o atual chefe de governo.

Três anos depois de assumir a liderança da sigla, Kyriakos Mitsotakis, visto como um reformista ligado ao mundo dos negócios, prometeu "relançar a economia" e "deixar a crise para trás".

De acordo com os primeiros resultados parciais, com 40% dos centros de votação apurados, o partido de Mitsotakis, Nova Democracia, tinha quase 40% dos votos, em relação aos pouco mais de 31% do partido do atual primeiro-ministro, o Syriza.

Se o resultado for confirmado, o partido de Mitsotakis teria uma maioria de 158 legisladores de um total de 300 assentos. O Syriza conservaria apenas 86 das 144 cadeiras que teve no Parlamento no último mandato. O restante das cadeiras será dividido entre os partidos pequenos, já que são necessários ao menos 3% dos votos para entrar no Parlamento.

Tsipras surgiu em pleno caos na Grécia, em razão da crise da dívida e da austeridade imposta por seus credores. O jovem líder da esquerda radical criou esperança em janeiro de 2015 em uma população atordoada.

Segundo analistas, porém, os eleitores não perdoam Tsipras por suas promessas não cumpridas, nem por suas duras medidas fiscais, ditadas pela União Europeia (UE) para evitar a possibilidade da saída de Atenas do bloco comunitário.

Eleito aos 44 anos o premiê mais jovem da Grécia em 150 anos, Tsipras pediu aos jovens que "não deixem os outros" decidirem sobre suas vidas, ao votar no bairro de Kypseli, na capital.

Mitsotakis votou pouco depois em Paristeri, onde foi recebido com vaias por manifestantes de esquerda, rapidamente silenciados por seus correligionários que se dirigiram a ele como o novo primeiro-ministro.

"As gregas e os gregos têm o destino de seu país nas mãos", declarou o rival de Tsipras, após depositar sua cédula.

Após o duro fracasso nas eleições europeias e locais, entre final de maio e início de junho, Tsipras apostou alto e convocou eleições antecipadas, na esperança de reverter a onda de insatisfação. Em tese, seu mandato termina em outubro.

Se a diferença nos resultados for muito estreita, o ND deve formar uma coalizão para governar, provavelmente com o Movimento pela Mudança (KINAL), nascido das cinzas do partido socialista PASOK. Será uma réplica da aliança que levou a Grécia a um ponto morto antes da chegada do Syriza. / AFP

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