Constituição da UE só sai por "milagre", diz Berlusconi

Exercendo a presidência rotativa da União Européia (UE), o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, reconheceu que será preciso "um milagre" para que os países-membros da instituição cheguem a um acordo na cúpula que se inicia amanhã, em Bruxelas, sobre o texto da futura Constituição européia. "Se nós conseguíssemos um acordo, isso será um milagre, mas algumas vezes milagres acontecem", disse ele.Os líderes europeus mantêm profundas divergências sobre a redação do projeto, principalmente em relação ao artigo que estabelece o sistema de votação das matérias de interesse coletivo da UE. Por esse artigo, as resoluções, para entrar em vigor, precisam da aprovação da maioria dos 25 membros da UE, e essa maioria deve representar pelo menos 60% da população da instituição. Na visão de Madri e Varsóvia, essa "dupla maioria" beneficiaria países mais populosos. Espanha e Polônia (cerca de 41 milhões de habitantes cada) defendem a manutenção do sistema contido no Tratado de Nice (1998) que lhes confere praticamente o mesmo peso de votação dos demais países. Berlusconi disse no início da semana que tem uma fórmula de consenso no "bolso do colete", que apresentará aos parceiros no "último momento".A chanceler espanhola, Ana Palacios, reafirmou que o primeiro-ministro José María Aznar não será o "senhor veto" como tem sido chamado. "A Espanha está disposta a estudar qualquer proposta, mas não vai aceitar o projeto de Constituição como está redigido", insistiu.

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