Constituição é formalmente aprovada por 63% dos egípcios

Cerca de 17 milhões de egípcios - ou 32,9% da população - votaram; país se prepara para eleger Câmara Baixa em 60 dias

CAIRO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2012 | 02h03

A nova Constituição do Egito, elaborada por partidários islâmicos do presidente Mohamed Morsi, foi aprovada por 63,8% dos votantes em um referendo nacional, reafirmou ontem o Supremo Comitê Eleitoral do país. Cerca de 17 milhões de egípcios - ou 32,9% da população - votaram.

O resultado final é próximo do que já havia sido divulgado pela Irmandade Muçulmana - movimento radical islâmico ao qual pertence o presidente Morsi. Para Morsi e os islamistas, foi uma vitória. A oposição laica considera que a nova Carta abre caminho para a implantação no país da sharia, o duro código penal islâmico, e falha no que diz respeito à proteção dos direitos das mulheres e das minorias.

Opositores de Morsi denunciaram supostas fraudes no referendo, realizado em duas etapas. "Investigamos arduamente todas as denúncias", disse a jornalistas o juiz Samir Abu el-Matti, do Supremo Comitê Eleitoral, em entrevista coletiva.

A nova Carta polarizou o país e desencadeou onda de violência. A oposição organizou protestos contra o texto, aprovado às pressas pelo governo antes de colocado para votação geral, e chegou a ensaiar um boicote. As manifestações acabaram em confronto com apoiadores de Morsi.

Divididos entre liberais, secularistas e velhos aliados do antigo regime, eles trabalham agora para formar uma coalizão em torno de um partido político único, com força suficiente para desafiar os islamistas, que têm dominado as urnas desde a revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Segundo a nova Constituição, o governo deve realizar eleições para a Câmara dentro de 60 dias.

"Podemos dizer que estamos diversificando nossas opções, usando todos os meios possíveis para mostrar que o Egito não aceita esse tipo de extorsão", disse Hussein Abdelghani, porta-voz da principal aliança de oposição, a Frente de Salvação Nacional.

Apesar de aprovada a Constituição, ele acredita que os opositores saíram vitoriosos do processo. "Agora existe um balanço na vida política (do país). Existe hoje uma força para conter os islamistas", disse.

A nova Carta substituiu a anterior, de 1971, escrita sob o regime militar de Anwar Sadat e mantida por Mubarak, seu sucessor. / REUTERS e WASHINGTON POST

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