Constituinte da Bolívia retoma sessão em quartel

Discussões foram trasladadas a instalação militar para proteger deputados de manifestações violentas

Ap, Afp, Efe e Reuters, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

A Assembléia Constituinte boliviana retomou ontem, após três meses de recesso, seus trabalhos numa instalação militar. A mudança teve como objetivo proteger os deputados dos violentos protestos em Sucre. Ontem, milhares de manifestantes entraram em conflito com a polícia, após líderes locais terem decidido que não reconhecerão a Constituição. De acordo com fontes locais, duas pessoas ficaram feridas.A presidente do fórum, Silvia Lazarte - do partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) -, convocou os 255 deputados da Assembléia para voltarem ao trabalho "com urgência" para aprovar a Carta antes do fim do prazo, marcado para o dia 14. No entanto, o líder do partido opositor Podemos, Edwin Velásquez, afirmou que os deputados de sua legenda não comparecerão às deliberações na instalação militar. Mesmo assim, o fórum conseguiu reunir reunir 145 deputados.A oposição, que iria se reunir paralelamente, alertou para a possibilidade do MAS aprovar uma nova Carta sem consenso e sem discussão. "Essa será uma Constituição à qual não vamos acatar", afirmou Jaime Barrón, líder do Comitê Cívico de Sucre. O presidente Evo Morales afirmou estar confiante de que os bolivianos receberão "como presente de Natal uma Constituição".A Constituinte, instalada em agosto de 2006, estava suspensa por causa de impasses referentes ao tema da capital. Sucre é a capital constitucional da Bolívia, mas só abriga o Judiciário. La Paz conquistou o direito de abrigar as sedes do Legislativo e Executivo em 1899, após uma guerra civil. Os moradores de Sucre querem que a Constituinte discuta a possibilidade da cidade voltar a abrigar todos os Poderes, mas o MAS recusa o pedido. A tensão em Sucre continua a aumentar, pois no fim de semana a cidade receberá partidários de Evo que pretendem "defender" a Constituinte.

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