AFP PHOTO / Juan BARRETO
AFP PHOTO / Juan BARRETO

Constituinte pode anular eleições na Venezuela, diz juiz

Manifestação da oposição volta a tomar as ruas de Caracas contra proposta de Maduro de nova Carta

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 18h52

CARACAS - O juiz do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela Luis Emílio Rondón disse nesta segunda-feira, 29, que a Assembleia Constituinte impulsionada pelo presidente Nicolás Maduro poderia anular as eleições regionais previstas para 10 de dezembro. Nas ruas, os protestos contra o governo seguem. Ontem, um deputado opositor ficou ferido em um ato em Caracas.

“Se a Constituinte trouxer um alinhamento orientado à não realização do processo eleitoral, seria inquestionável”, disse o reitor, o único do órgão alinhado à oposição. “Quais as garantias do CNE para convocar um processo eleitoral em meio à uma Constituinte?”

O reitor criticou a proposta de Maduro, que qualificou como inconstitucional e defendeu a realização das eleições para dar prioridade aos direitos políticos da população. No ano passado, o CNE adiou as eleições municipais em meio à crescente crise econômica e queda de popularidade do chavismo.

À tarde, manifestantes da oposição tentaram avançar até a sede da Defensoria Pública, no centro da capital, mas foram bloqueados por militares com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água disparados por veículos blindados.

Essas foram as primeiras manifestações depois que a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) pediu que os protestos se intensificassem para impedir a Constituinte, considerada uma fraude de Maduro para fugir das eleições e se agarrar ao poder.

Desde que começaram, em 1º de abril, as mobilizações deixam 59 mortos e mais de mil feridos, segundo a Procuradoria-Geral do país, assim como cerca de três mil detidos, de acordo com a ONG Fórum Penal.

Como acontece a cada vez que a oposição tenta chegar até o centro da capital, a principal estrada da cidade era cenário de confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes, que jogavam pedras e coquetéis molotov contra os militares.

Também eram registradas confusões na parte oeste da capital. Uma avenida fundamental do centro, onde ficam importantes edifícios públicos e por onde se consegue chegar ao palácio presidencial de Miraflores, foi bloqueada pela polícia. / EFE e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.