Constrangedor, mas não um golpe fatal para Abbas

A divulgação pela Al-Jazira de concessões oferecidas secretamente pelos palestinos a Israel embaraça o presidente Mahmoud Abbas, mas parece menos danosa do que outras revelações que ele enfrentou nos últimos anos.

Tom Perry, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

Muitas ideias sublinhadas nos papéis já haviam caído no domínio público havia algum tempo, segundo especialistas palestinos. "Isso causará alguns danos à credibilidade de Abbas, mas não será um golpe mortal", disse o comentarista Bassem Zubaldi.

Em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, não há nem sinal do clamor público que Abbas enfrentou em 2009 quando decidiu adiar uma ação sobre um relatório da ONU que criticava a ofensiva de Israel sobre Gaza. "No fim das contas, não foi um acordo assinado, foram apenas negociações", disse Fikri Suleiman, quando ia para o trabalho ontem em Ramallah.

Embora possam ser embaraçosos para Abbas, o aspecto mais interessante dos documentos é o abismo que eles revelam entre as partes, disse George Giacaman, outro comentarista palestino. "Os documentos mostram que eles jamais chegarão a um acordo." O material divulgado concentra-se nas negociações sobre Jerusalém. Ele mostra palestinos dispostos a fazer concessões que incluíam permitir a Israel anexar todos os grandes assentamentos (exceto um) construídos desde a ocupação israelense, em 1967.

As conversações terminaram quando o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, foi obrigado a deixar o cargo por acusações de corrupção em 2009. Segundo seu porta-voz, Jacob Galanto, Olmert acreditou que "uma proposta abrangente fora colocada durante as conversações".

Yasser Abed Rabbo, um veterano assessor de Abbas, disse que os palestinos não discutiriam a autenticidade dos documentos. Ele condenou a Al-Jazira e acusou o emir do Catar, de onde é a TV, de dar "sinal verde" para uma campanha contra líderes palestinos.

A Autoridade Palestina baniu por um curto espaço de tempo a Al-Jazira da Cisjordânia em 2009, depois que a emissora veiculou suspeitas de que Abbas conspirou com Israel para matar seu antecessor, Yasser Arafat. Rabbo disse que as citações foram tiradas do contexto ou apresentadas de maneira incompleta durante a transmissão que descreveu como "um filme dramático, forçado", acompanhado por uma trilha sonora de "filme de horror". O canal estaria "trabalhando para uma certa tendência política" - uma referência ao grupo Hamas que governa a Faixa de Gaza. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É ANALISTA DA "REUTERS"

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