Construções anti-terremoto teriam evitado tragédia na Itália

Segundo geofísicos, tremor não teria provocado destruição e mortos se tivesse ocorrido em países preparados

Assimina Vlahou, BBC

08 de abril de 2009 | 05h39

Engenheiros e especialistas em sismologia da Itália afirmam que embora a intensidade dos terremotos que atingem o país Itália não seja tão grande como em outros países, eles provocam maior destruição porque não são respeitadas normas de construção anti-sísmica.

 

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Para o geofísico Antonio Piersanti, do Instituto Italiano de Geofísica e Vulcanologia (IGV), se as construções de edifícios na Itália aplicassem técnicas de construção anti-terremoto, boa parte dos efeitos devastadores de tremores como o que atingiu a cidade de Áquila, na última segunda-feira, poderia ter sido evitada.

"Uma oportuna atenção a técnicas construtivas resolveria quase completamente o problema", disse Piersanti à BBC Brasil.Segundo ele, a intensidade máxima dos terremotos na Itália dificilmente supera 6,5 graus na escala Richter, e não é difícil resistir a abalos sísmicos desta intensidade. O terremoto que destruiu Áquila e 26 municípios na região do Abruzzo teve uma magnitude de 5,8 graus.

EUA e Japão

"Na China e na Turquia os terremotos chegam a 8 graus, mas, mesmo assim, muito pode ser feito em termos de construção para resistir a eles. Na Itália, com intensidades bem menores, poderíamos não ter mais nenhum dano causado por todos os terremotos que possam ocorrer no país", afirmou Piersanti.

Outros especialistas concordam. Franco Barberi, vulcanólogo e presidente da Comissão de Grandes Riscos da Defesa Civil italiana, acredita que o terremoto que devastou Áquila não teria provocado os mesmos danos e vítimas se tivesse ocorrido nos Estados Unidos ou no Japão. "Um tremor como este nesses países não teria deixado nem mesmo um morto", afirmou Barberi.

Na opinião do especialista, o fato de o hospital de Áquila ter sido parcialmente destruído pelo terremoto demonstra que é necessário um maior investimento nas construções. "Se até os edifícios que deveriam ter sido construídos respeitando os critérios anti-sísmicos sofreram danos irracionais, então é preciso controlar a qualidade das construções. Principalmente as estruturas públicas e estratégicas, como hospitais e prédios do governo", disse Barberi.  O prefeito de Áquila afirmou que entre os prédios que desabaram não havia apenas construções antigas, mas também muitos prédios novos.

Reconstrução

Para voltar à normalidade, ao menos em Áquila, serão necessários oito anos, segundo o engenheiro Giandomenico Cifani, pesquisador do Instituto de Tecnologias da Construção da cidade. "Depois de socorrer as vítimas, serão feitas vistorias para verificar o estado dos edifícios, a relação dos danos para ver se as pessoas podem voltar para suas casas e o cálculo do custo de tudo isso, o que leva muito tempo", afirmou Cifani.

Segundo estimativas fornecidas pelo Centro Europeu de Pesquisa e Formação em Engenharia Sísmica, publicadas por jornais italianos, cerca de 80 mil edifícios públicos precisariam ser reforçados em todo o território nacional. Segundo o geofísico Antonio Piersanti, a Itália inteira está sujeita a abalos sísmicos porque está localizada entre duas placas tectônicas: a africana e a euro-asiática.

"Os terremotos são pequenas liberações da enorme quantidade de energia acumulada pela colisão das placas, que são massas gigantescas e envolvem continentes inteiros", explicou. "As macroplacas que formam a crosta terrestre não estão paradas, mas bóiam numa espécie de oceano de magma muito viscoso, onde os movimentos são muito lentos. Quando colidem, fazem pressão uma contra a outra e este fenômeno cria os terremotos", disse Piersanti à BBC Brasil. Conforme a explicação do geofísico, as zonas mais sísmicas estão no ponto onde essas placas se encontram, o que acontece com a Itália.

 

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