Divulgação/Odebrecht
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Construtoras peruanas ligadas à Odebrecht negam saber de propinas

Duas companhias manifestaram disposição em colaborar com investigações; ex-presidente Ollanta Humala diz que não recebeu dinheiro da empreiteira brasileira para campanha eleitoral

O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2017 | 20h14

LIMA - As construtoras peruanas Graña y Montero e a Ingenieros Civiles y Contratistas Generales (ICCGSA) negaram saber das propinas pagas pela brasileira Odebrecht a funcionários peruanos em uma licitação para a construção de uma estrada vencida pelas três empresas em consórcio.

As duas companhias negaram em diferentes comunicados divulgados neste sábado, 25, pela imprensa local as declarações do ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, que afirmou que elas sabiam dos pagamentos ilícitos realizados para que o consórcio vencesse a licitação da Estrada Interoceânica do Sul.

A Graña y Montero negou "categoricamente" as declarações de Barata ao promotor Hamilton Castro. O ex-diretor está realizando uma espécie de delação premiada no Peru, trocando informações para facilitar as investigações em troca de redução de pena.

"Nossa empresa e nossos executivos nunca souberam, muito menos administraram ou realizaram, de qualquer tipo de propina ou reembolso por pagamentos desse tipo realizados pela Odebrecht", afirmou a nota da Graña y Montero.

A ICCGSA disse que nem a empresa nem os funcionários tinham conhecimento ou participaram dos atos ilícitos reconhecidos pela Odebrecht nos trechos 2 e 3 da Estrada Interoceânica do Sul, que cruza o Peru do Oceano Pacífico até a fronteira com o Brasil.

As duas construtoras peruanas manifestaram a disposição de colaborar com as investigações e expressaram máximo interesse na divulgação da verdade sobre o caso.

Segundo trecho do depoimento de Barata divulgado sexta-feira pela revista Hildebrant, as empresas sabiam que a Odebrecht havia subornado funcionários do governo e precisavam assumir a parte correspondente da propina. No entanto, o ex-diretor afirmou que elas não sabiam de detalhes do acordo.

As declarações fizeram com que as ações da Graña y Montero caíssem 33,33% na Bolsa de Valores de Lima na sexta-feira. Os investidores temem um grave prejuízo à reputação da construtora e decidiram vender os papéis para se proteger.

No mesmo depoimento, Barata afirmou que a Odebrecht pagou US$ 20 milhões em propina ao ex-presidente do Peru Alejandro Toledo para que ele favorecesse a construtora na licitação da Estrada Interoceânica. Toledo foi acusado pela Justiça do país e contra ele há um mandato de prisão internacional.

Outras brasileiras. Segundo o jornal La Republica do Peru, Toledo também teria recebido propina de outras empresas brasileiras, também no âmbito da construção da Estrada Interoceânica. As empresas são Andrade Gutiérrez, Camargo Correa e Queiroz Galvão, que integraram o consórcio Intersur. 

Agora, a Procuradoria do Peru rastreia pagamentos dessas empresas brasileiras, que não corresponderiam aos pagamentos revelados por Barata. 

Acusações. O ex-presidente do Peru Ollanta Humala negou na sexta-feira 24 ter recebido financiamento da empreiteira Odebrecht para sua campanha de 2011, após vir à tona que a empresa entregou US$ 3 milhões com este objetivo. "O que foi assinalado pelo senhor (Jorge) Barata, ex-executivo da Odebrecht no Peru, não é reconhecido por nós como certo. Acreditamos que tudo isso deva ser avaliado na Procuradoria. Tudo o que é dito por um aspirante a 'colaborador eficaz' deve ser plenamente provado", disse à imprensa o ex-presidente após sair de casa.

Humala informou que as contribuições recebidas pelo Partido Nacionalista, tanto para as eleições de 2011 como para as eleições de 2006, foram reportadas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol).

Segundo a revista Caretas, publicada na quinta-feira 23, Barata entregou em um hotel de São Paulo US$ 3 milhões à mulher de Humala, Nadine Heredia, para a campanha de 2011. "Não recebemos fundos ilegais para a campanha como vem sendo especulado. Ratificamos nossa prestação de contas, como fizemos em 2006 e em 2011. Estamos tranquilos, fazendo nosso trabalho e cuidando da família no país", acrescentou Humala. /EFE e REUTERS

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