MENAHEM KAHANA/AFP
MENAHEM KAHANA/AFP

Cônsul-geral de Israel confirma suspensão de diálogo com UE

Diplomata afirma que decisão europeia de rotular produtos de assentamentos é ‘discriminatória’

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 20h00

O cônsul-geral de Israel em São Paulo, Yoel Barnea, qualificou nesta quinta-feira de “discriminatória” ca decisão da União Europeia (UE) de identificar os produtos importados pelo bloco dos assentamentos judaicos em territórios palestinos e afirmou que o diálogo entre israelenses e europeus foi suspenso por ora.

A decisão foi anunciada na quarta-feira pelo braço executivo do bloco. Elaboradas ao longo de três anos pela Comissão Europeia, as orientações determinam que os produtos israelenses têm de deixar claro em seus rótulos quando são provenientes de assentamentos.

Bruxelas argumenta que se trata de uma medida técnica, para obedecer às normas do bloco. Mas, para Israel, ela pode incentivar o boicote a produtos israelenses. 

Em uma conversa com jornalistas em São Paulo, Barnea alegou que os palestinos deverão sofrer mais com a medida do que os israelenses, argumentando que as empresas que estão nesses territórios empregam cerca de 15 mil palestinos, com salários “duas vezes maiores” do que a média dos demais trabalhadores das áreas. “Claro, é sim um problema para Israel, tem um prejuízo de propaganda. Mas o (prejuízo) econômico é para o lado palestino.” 

“Infelizmente, uma vez mais, surge esse trauma nacional, que se chama Holocausto, e 80 anos atrás marcou os judeus com uma estrela amarela. Hoje em dia, são mais gentis conosco e estão marcando somente nossos produtos”, afirmou.

A decisão do bloco foi anunciada no mesmo dia em que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, concluía uma visita oficial a Washington, sem anúncio de uma efetiva retomada da mediação americana para o diálogo com os palestinos. Nesta quinta-feira, o cônsul reconheceu que, apesar de grandes aliados, há divergências atualmente entre os dois países e a possibilidade de um a retomada das negociações entre palestinos e israelenses antes do fim do governo Barack Obama é improvável. “Os EUA sempre apoiaram o Estado de Israel em muitos de seus princípios, mas não sempre em todas suas posições”, ressaltou.

O mais recente atrito nas relações entre os dois países se deu com a conclusão do acordo nuclear entre as potências mundiais – entre elas, os EUA – e o Irã. Israel vê com desconfiança o acordo e, para o cônsul-geral, ele não resolve o problema da ligação iraniana com o “terrorismo internacional” e a ameaça a outros “Estados moderados”.

“O Irã tem uma visão destrutiva com relação a Israel”, disse. “Nós temos como nos defender, mas a Arábia Saudita está em uma situação mais frágil”, disse o diplomata, referindo-se ao aliado dos EUA na região. 

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